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Moçambique mantém alerta vermelho contra enchentes

29 de janeiro de 2013

Mas inundações nas cidades de Chókwè e Xai Xai estão a baixar devido ao abrandamento das chuvas nos países vizinhos. 68 pessoas morreram nas zonas centro e sul. País precisa de US$ 15 milhões para operações humanitárias.

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Pessoas sobem em telhado em Xai-Xai, na província moçambicana sulista de Gaza
Pessoas sobem em telhado em Xai-Xai, na província moçambicana sulista de GazaFoto: picture-alliance/dpa

Em Moçambique, o nível das águas dos rios do sul do país estão a baixar, de acordo com a Direção Nacional de Águas.

Apesar disso, as autoridades moçambicanas matém o alerta vermelho para as regiões do baixo Limpopo, nomeadamente as cidades de Chókwe e Xai Xai, na província sulista de Gaza. O governo moçambicano convocou o Exército para ajudar no socorro à população afetada pelo transbordo do rio Limpopo. Militares já ajudam nas operações de limpeza na cidade de Chókwè, a mais atingida.

As descargas na barragem de Massingir, em Gaza, e nas barragens sul-africanas estão igualmente a reduzir: "Na zona sul há uma redução. Estamos a descarregar neste momento, por exemplo em Massingir, onde já tinhamos atingido o pico, fomos gradualmente reduzindo e neste momento estamos a descarregar 50 metros cúbicos por segundo", explicou Rute Nhamugava, da Direção Nacional de Águas, à Televisão de Moçambique (TVM).

Nas regiões afetadas pelas cheias, já morreram 68 pessoas, das quais 39 só em Gaza. De acordo com Rita Almeida, do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), este número é preliminar. "É aquilo que temos confirmado. É verdade que temos informações de pessoas desaparecidas. Por isso, acreditámos que este número poderá subir nos últimos momentos. O trabalho no terreno continua e se calhar daqui a alguns dias poderemos ter a actualização deste número", afirma.

A agência noticiosa France Presse (AFP) cita 48 mortos, contados pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde meados de janeiro, no sul do país. Algumas dessas pessoas terão morrido eletrocutadas por causa das linhas de energia que se arrastaram nas águas. Outros cidadãos terão morrido esmagados após a queda de edifícios, e ainda outros terão sido vítimas de crocodilos.

Sem acesso, norte de Gaza tem necessidades urgentes

O norte da província de Gaza está isolado do resto do país. Não há comunicação por estrada. Usam-se meios aéreos para chegar a região. A população precisa de assistência alimentar urgente.

Rua inundada em Chókwè, na província sulista de Gaza: alerta vermelho continua
Rua inundada em Chókwè, na província sulista de Gaza: alerta vermelho continuaFoto: Getty Images

"Estamos a tentar ver aquelas zonas em que já temos pessoas que já estão afectadas e estão numa situação de necessidade e tentar ver quais são as vias alternativas para para chegarmos a essas pessoas e assisti-las", explica Rita Almeida, do INGC. Segundo a AFP, a marinha também participou do resgate de refugiados nas regiões atingidas pelas inundações, fornecendo embarcações.

Em Gaza, existem 23 centros de acomodação e teme-se que haja surgimento de doenças. A cheia do Limpopo atingiu 250 mil pessoas. 146 mil encontraram abrigo nos campos criados pelas autoridades e por agências humanitárias.

Na cidade de Maputo as consequências das últimas enxurradas são a eclosão de casos de malária, segundo Páscoa Wate, diretora de Saúde na capital moçambicana, Maputo: "Estamos conscientes que, por causa das chuvas, o mosquito vai aumentar e estamos à espera de que, a partir da próxima semana, aumentem os casos de malária", constata. "Por isso, apesar de estar a chover, estamos agora a tentar pelo menos fazer a pulverização intradomiciliária nos centros de acomodação", acrescenta.

Cólera, malária e diarreia

Homem isolado em Xai-Xai, uma das cidades mais atingidas pelas cheias em Moçambique
Homem isolado em Xai-Xai, uma das cidades mais atingidas pelas cheias em MoçambiqueFoto: picture-alliance/dpa

No que diz respeito à cólera, Páscoa Wate disse que até agora ainda não foi diagnosticado nenhum caso da doença. "Estamos atentos, por isso que fazemos este controlo diário dos casos de diarreia que aparecem nas unidades sanitárias com serviços de urgência, sem pôr de lado aquilo que é o controlo que fazemos semanalmente", afirma. "Este controlo permite-nos ter a informação de todos os casos de diarreia que se apresentam em todas as unidades, mesmo naquelas que não têm serviços de urgência".

Em algumas unidades sanitárias da cidade de Maputo, há registo de casos de diarreias, segundo confirmou a médica do Hospital Geral de Mavalane, Joaquina Massingue: "Tivemos 14 casos de malária, nove deles adultos e cinco crianças. Os casos de diarreia foram sete: seis adultos e três crianças. Tendo em conta o período em que nos encontramos, de facto o número de diarreias e da malária aumentou", diz Massingue.

O Instituto Nacional de Meteorologia prevê chuvas intensas em algumas regiões das províncias da Zambézia e Sofala, no centro de Moçambique para os próximos dias. As enchentes atuais no país são as piores em dez anos – em 2000, 800 pessoas morreram em consequência das inundações.

Autor: Romeu da Silva (Maputo)/RK/afp
Edição: António Rocha

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