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América Latina

Vale do Rio Doce, uma empresa com pulmão de ferro

Em apenas seis anos, a ex-estatal elevou seu valor de mercado de US$ 9 bilhões para US$ 77 bilhões, transformando-se na segunda maior mineradora do mundo. Privatização continua sendo questionada.

Brucutu (MG), maior mina de ferro do mundo

No final de outubro deste ano, Roger Agnelli, presidente da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), mostrou mais uma vez por que é considerado o "iron man" do mercado mundial de mineração. Com nervos de aço, conduziu as negociações com acionistas, autoridades, trabalhadores e órgãos antitruste na América do Norte e na União Européia para fechar a compra da Inco, mineradora canadense de níquel, por US$ 18 bilhões.

Foi a maior aquisição já realizada por uma empresa com sede na América Latina. A Vale desbancou as concorrentes Phelps Dodge (EUA) e Teck Cominco (Canadá) e, com a incorporação da Inco, elevou seu valor de mercado para US$ 77 bilhões. Só perde para a australiana BHP-Billiton, avaliada em US$ 135,3 bilhões.

"Ferro na alma"

Roger Agnelli: o 'iron man' da Vale

O arrojo de Agnelli já é considerado legendário. Contra a resistência dos barões do aço, ele conseguiu impor nos últimos dois anos um aumento acumulado de 100% no preço do minério de ferro, hoje cotado em média por US$ 40 a tonelada. E a tendência do preço é continuar aumentando.

A determinação deste descendente de pobres imigrantes italianos, que carrega corrente de ouro no pescoço e já dirigiu o Bradesco, maior banco privado brasileiro, parece combinar com a história da Vale, nascida em berço de ferro. Nos primórdios da empresa, o minério era extraído com marretadas, picaretas e até mesmo no muque.

Criada por decreto em 1° de junho de 1942, em plena ditadura do Estado Novo, a Companhia Vale do Rio Doce iniciou suas atividades em Itabira (em tupi, pedra que brilha), então uma pacata cidade do interior de Minas Gerais. Carlos Drummond de Andrade (1902–1987), um dos maiores nomes da poesia brasileira, natural de Itabira, a descreveu como cidade que tem "noventa por cento de ferro nas calçadas; oitenta por cento de ferro nas almas".

História de sucesso

Itabira cresceu com a Vale – hoje tem 107 mil habitantes – e a Vale expandiu-se no país e no exterior. Depois de montar um complexo mina-ferrovia-porto, em 1951, a estatal exportou seu primeiro 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro. Seguiu-se uma década de política de comercialização agressiva, que a transformou numa exportadora de peso mundial.

Projeto Ferro Carajás, no Pará

Entre 1969 e 1979, as vendas da CVRD ao exterior cresceram 285% e a empresa se consolidou como a maior exportadora de minério de ferro do mundo, posição que ocupa até hoje. Em 1985, colocou em operação o projeto Ferro Carajás, iniciando a exploração de reservas de 18 bilhões de toneladas de ferro no sul do Estado do Pará.

Privatização polêmica

Embora sempre tivesse operado com balanço positivo, batendo seguidos recordes de produção e faturamento, a empresa foi privatizada em maio de 1997 pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Dois bancos estrangeiros avaliaram em R$ 10,36 bilhões as ações da CVRD, mas não consideraram o potencial das reservas minerais em poder da empresa.

Resultado: o Consórcio Brasil, formado pela Companhia Siderúrgica Nacional, a Bradespar (do grupo Bradesco) e o fundo de investimentos Previ, arrematou 41,73% das ações por R$ 3,3 bilhões, o suficiente para assumir o controle da empresa. Ficou no ar a sensação de que foi um jogo de cartas marcadas.

Passados quase dez anos, ainda hoje críticos insistem que a Vale foi vendida abaixo de seu valor real. Foi pedida a revogação do processo de privatização em mais de 100 ações, algumas ainda em trâmite na Justiça. As chances de vitória para os acusadores são consideradas mínimas por especialistas. Em 2007, o Movimento dos Sem Terra pretende lançar uma campanha pela reestatização da CVRD.

Potência mundial

Desde a privatização, a Vale caminha a passos largos para se tornar um global player. Hoje é um conglomerado de 64 empresas com 39 mil funcionários, atuante em 40 países. Seu faturamento saltou de R$ 11 bilhões em 2001 para R$ 33,9 bilhões no ano passado. No mesmo período, seu lucro pulou de R$ 3,1 bilhões para R$ 10,9 bilhões.

A ascensão da Vale é de roubar o fôlego. A mesma companhia que extraiu 133 milhões de toneladas de minério de ferro em 2001 pretende atingir um volume de 300 milhões de toneladas em 2007. Em setembro passado, inaugurou em Minas Gerais o complexo Brucutu, maior mina de ferro em capacidade inicial de produção do mundo. A capacidade instalada da mina é de 30 milhões de toneladas.

Quando começou a operar em Itabira, há 64 anos, tudo – das ferramentas ao minério – era transportado por burricos. Hoje a companhia possui uma frota de 988 locomotivas e 61.956 vagões para transportar mais de 40 tipos de minérios que explora.

Responsabilidade social

Não só as estatísticas da produção, mas também os índices de responsabilidade social da companhia impressionam. Programas mantidos pela Fundação Vale do Rio Doce e pela CVRD promovem o desenvolvimento social em cerca de 500 municípios brasileiros, beneficiando três milhões de pessoas, garante a empresa.

Ao redor de sua maior mina, a do projeto Ferro Carajás, no Pará, a Vale assumiu a proteção de 1,2 milhão de hectares de florestas. Além disso, presta um chamado "apoio voluntário" de R$ 25 milhões ao ano a 3.500 índios. Essa ajuda, no entanto, não tem impedido conflitos entre os povos indígenas e a empresa, o último deles ocorrido justamente no momento que a Vale fechava o maior negócio de sua história.

A prioridade da empresa para os próximos anos, segundo informou sua assessoria de impresa à DW-WORLD, é “trabalhar na integração das duas companhias e pagar a dívida (de US$ 15,5 bilhões?, contraída na aquisição da Inco) no mais curto espaço de tempo possível. Com os projetos em carteira e a Inco, chegaremos à liderança da área de níquel até o final desta década”.

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