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Tropas alemãs para o Mali? Não em ano de eleições

24 de janeiro de 2013

O Presidente do Benim, Boni Yayi, esteve em Berlim e apelou ao Governo alemão para que se envolva mais na crise do Mali. Berlim reforçou o seu apoio ao Mali, mas não enviará tropas.

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Foto: Reuters

Nesta quinta-feira (24.1) deu-se a cisão do Ansar Dine, um dos três grupos islamistas fundamentalistas que ocupa o norte do Mali. Uma parte dos seus membros apela agora a uma "solução pacífica" do conflito. Entretanto, na Europa, prosseguem, no entanto os preparativos de guerra.

O Chefe do Estado do Benim, Thomas Boni Yayi, que preside igualmente à União Africana (UA), voltou a apelar a um envolvimento no Mali de todos os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, NATO. Segundo ele, esta seria a forma de combater com eficácia o terrorismo que considera "ser uma ameaça também para a Europa".

A resposta da Alemanha a este apelo era previsível. Boni Yayi, em declarações exclusivas à DW após o encontro com a chanceler, Angela Merkel, sublinhou que " a chanceler está ciente das nossas preocupações, como me garantiu com sinceridade". Todavia, frisou o presidente em exercício da UA, "Angela Merkel disse que a Alemanha está preocupada com a situação no Mali, mas que, de momento, não enviará tropas".

O Presidente da União Africana colocou ênfase na expressão "de momento", deixando em entrelinhas, aberta a possibilidade de uma mudança futura de atitude de Berlim. Contudo, a Alemanha encontra-se a menos de oito meses de uma eleição legislativa, pelo que o Governo não se arriscará, até lá, a tomar uma decisão que seria excessivamente impopular.

Paris pede maior empenho de Berlim na crise do Mali

Tradicionalmente, de resto, a Alemanha sempre tratou a África como território do interesse político e estratégico, sobretudo das antigas potências coloniais europeias, à qual não considera pertencer.

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Soldado maliano numa base militar em BamakoFoto: Reuters

No entanto, a luta contra o terrorismo e a solidariedade com o parceiro europeu mais importante, a França, exigem uma participação de Berlim nos esforços em curso no Mali. Na quarta-feira (23.1) após o encontro com Boni Yayi, a chanceler Merkel voltou a salientar a contribuição do seu país, "a Alemanha está envolvida no transporte das tropas, mas também em questões de armamento e sobretudo na formação do exército maliano. O Presidente Boni Yayi sublinhou a urgência em passar imediatamente à acção, e nós prometemos agir com rapidez".

Defensores dos direitos humanos criticam tropas de Bamako

Enquanto a Alemanha aposta na formação do exército do Mali, estas tropas encontram-se na mira de organizações não governamentais dos direitos humanos, que levantam graves acusações de violação dos direitos humanos contra os soldados de Bamako. Florent Geel, porta-voz da Aliança Internacional pelos Direitos Humanos, FIDH, situada na capital maliana, disse que testemunhas alegam ter presenciado a cerca de 30 execuções. Depois de um controlo independente podemos confirmar e provar que ocorreram execuções na zona de Sévaré, que os perpetradores pertencem ao exército maliano e que as vítimas pertencem sobretudo a grupos étnicos como os tuaregue".

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Defensores dos direitos humanos denunciam excessos dos soldados malianosFoto: Reuters

O exército do Mali rejeita as acusações, mas a indignação internacional sobe de tom. Em entrevista com a DW, o tenente-coronel Diarra Koné, promete que " vamos empenhar-nos a fundo para esclarecer as acusações. Tanto mais tendo em conta a assistência que neste momento nos presta a comunidade internacional".

A comunidade internacional terá registado com satisfação um novo desenvolvimento no drama maliano. Nesta quinta-feira (23.1), um dos três grupos de activistas islamistas que controlam o norte do Mali, o Ansar Dine, sofreu uma cisão, com uma nova ala moderada, que se intitulou "Movimento Islâmico de Azawad" (MIA) a apelar para uma solução pacífica do conflito. Azawad é o nome que os tuaregues dão ao norte do país, que há muitos anos é palco de revoltas contra o Governo central de Bamako, que acusa de negligência e opressão.

Autora: Cristina Krippahl
Edição Helena Ferro de Gouveia /António Rocha

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