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Internacional

Tráfico de crianças é problema global

Depois do tráfico de drogas e de armas, o de pessoas é o ramo mais lucrativo do crime organizado. No mínimo 1,2 milhão de crianças são vendidas por ano no mundo. O Unicef exige uma reação global para combater o negócio em franca expansão por meio da internet.

Mão-de-obra barata

Os negócios com seqüestro e escravização de crianças, muitas das quais são forçadas a praticar a prostituição, cresceu também nos países ricos da União Européia nos últimos anos. Segundo o juiz italiano Ferdinando Imposimato, que trabalha para a ONU na questão do comércio de crianças, são várias as causas dessa tragédia infantil. Uma delas seria a procura crescente por mão-de-obra barata, e a globalização se encarregaria do resto.

Reação global – São vendidas anualmente cerca de 120 mil crianças da Europa Oriental para a Ocidental, avalia o Unicef. E Imposimato vê nisso uma evolução assustadora a exigir uma estratégia internacional, que deve compreender um acordo entre os órgãos públicos dos países de origem, dos que servem de corredor do tráfico e também das nações de destino das crianças vendidas ou seqüestradas. Só uma estreita cooperação entre estes Estados poderia evitar o tráfico humano.

A ONG Terre des Hommes confirma que mais de um milhão de crianças são vendidas anualmente. Como mão-de-obra barata, elas são obrigadas a tecer tapetes, a trabalhar em pedreiras ou na agricultura. Muitas são forçadas à prostituição e sofrem abusos sexuais e violência. A maioria é levada para longe de sua pátria e muitas são aprisionadas e maltratadas.

Oferta e procura – As crianças vendidas para a Alemanha são em muitos casos exploradas sexualmente e forçadas a atividades criminosas, como roubar ou vender drogas, segundo a Terre des Hommes. Em muitas cidades grandes existe o problema cada vez maior dos trombadinhas – crianças trazidas do Leste Europeu especialmente para bater carteiras. Outro ramo de trabalho dos traficantes é a adoção ilegal. Como mercadorias, crianças são oferecidas em catálogos na internet. As preferidas para adoção são brancas, saudáveis e recém-nascidas.

Existem muitos traficantes poderosos em vários países europeus. O juiz Imposinato cita a Rússia e a Albânia como exemplos. Como se trata de um mercado que atua conforme a lei de oferta e procura, a responsabilidade, na sua opinião, é também das nações européias ocidentais; pois se a oferta das máfias russa e albanesa é grande na internet, a procura também é enorme nas nações ocidentais ricas. Daí a razão de o juiz italiano exigir um combate eficaz do crime organizado tanto nos países de origem quanto na Europa Ocidental "como mercado consumidor".

Negócio complicado – Na maioria dos casos, o tráfico de crianças não é a simples venda de A para B. Ele percorre muitas estações em diversos países e existe uma ação recíproca entre os diferentes ramos do crime organizado. As atividades dos traficantes de drogas, armas e pessoas são estreitamente entrelaçadas e contam com a ajuda da corrupção, que é especialmente grave em países europeus orientais como a Rússia e a Albânia, segundo o juiz.

Meios modernos e impunidade – Tudo isso dificulta o combate ao tráfico humano por parte da polícia, que em muitos países também é corrupta. Além do mais, os criminosos contam com os meios mais modernos de comunicação. A internet é uma plataforma confortável para oferecerem seus produtos além fronteiras e, com freqüência, faltam possibilidades de perseguir e punir tais criminosos, lamenta Imposimato.

Daí o juiz insistir na necessidade urgente de se encontrar um sistema para rastrear os que usam a internet como plataforma no comércio de mulheres e crianças. Ele exige também uma cooperação mais estreita entre os países europeus e ajuda dos mais ricos aos que não podem lutar com meios próprios.

"Nós temos também de fazer com que haja leis mundiais para combater o tráfico de mulheres e crianças. Temos igualmente de fomentar uma sensibilidade social, a fim de combater a lei do silêncio que existe em torno do tráfico humano", concluiu Imposimato. Há estimativas de que 500 mil mulheres são contrabandeadas por ano do Leste Europeu para os países ocidentais.

DW.DE