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"Surrealismo Tridimensional" mostra esculturas de Dalí em Brasília

Ericka de Sá, de Brasília16 de abril de 2014

Peças em bronze pouco conhecidas chegam a Brasília em exposição inédita. Obras são da fase "mais madura" do artista.

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Salvador Dali Der anthropomorphe Kabinettschrank
"Gabinete Antropomórfico", de 1936, é uma das peças da exposiçãoFoto: Ericka de Sá

Durante tardes de sol no verão da Catalunha, Salvador Dalí aproveitava os momentos de descanso para expressar sua arte em três dimensões. A escultura, vertente não muito conhecida do artista espanhol, incorporava temas de seu interesse, como a mitologia, o cristianismo e as expressões surrealistas da realidade.

Um conjunto de 26 dessas esculturas pode ser visitado na mostra Salvador Dalí – Esculturas – Surrealismo Tridimensional até 15 de junho em Brasília, no Centro Cultural da Caixa Econômica. São peças em bronze, em sua maior parte da chamada coleção Clot.

"A aposta é trabalhar para divulgar obras que não são tão conhecidas ou estudadas, é interessante mostrar outras facetas do Salvador Dalí", explica o curador da exposição, Francisco Lara Mora, artista espanhol que já organizou outras exposições com obras de Dalí.

As peças têm variadas dimensões – desde alguns centímetros, cabendo na palma da mão, até três metros de comprimento – e são feitas de bronze, por meio da técnica de fundição por cera perdida (um molde de argila, gesso ou pedra artificial que cobre a peça de cera, que depois dá lugar ao metal fundido).

"Tripas e Cabeça" (à esquerda), com cabeça do escultor
"Tripas e Cabeça" (à direita), com cabeça do escultorFoto: Ericka de Sá

"Logicamente [Dalí] dedicava muito mais tempo para pintar, então para ele esses trabalhos deveriam ser quase que uma brincadeira de criança, porque modelar na cera é parecido com o trabalho com essa massa de crianças", detalha Mora. "Penso que devia combinar com o trabalho de pintura e devia ser relaxante modelar aquelas obras."

Coleção Clot

Com obras elaboradas entre 1970 e 1981, a coleção Clot é composta por 44 peças. O nome vem de Isidoro Clot, dono de uma galeria em Madri que resolveu fazer a primeira coleção das esculturas de Dalí. As obras foram expostas pela primeira vez em dezembro de 1986, quase dois anos antes da morte do artista.

Para a exposição no Brasil, Francisco Mora escolheu 26 peças da coleção que representam três grandes áreas temáticas consideradas importantes. A mitologia clássica é representada por esculturas de Ícaro, Mercúrio, Apolo e Poseidon. A iconografia cristã também é relevante, com representações de Cristo de São João da Cruz, São Sebastião, São João Batista, São Narciso das Moscas e São Jorge.

Além disso, há peças com referência histórica e literária (Trajano jovem, Dom Quixote), além de outras com temas de interesse pessoal, como o Elefante Cósmico – uma das maiores peças da exposição.

Salvador Dali Der kosmische Elefant
"Elefante cósmico", de 1974, tem três metros de comprimentoFoto: Ericka de Sá

O Gabinete Antropomórfico, que evidencia o surrealismo típico de Dalí, é uma das duas peças que não fazem parte da Coleção Clot. A peça Tripas e Cabeça, outro modelo intrigante, traz um autorretrato de Dalí envolvido em um intestino.

Gala: inspiração

"São obras que não têm recebido a atenção e a importância que merecem, porém foram feitas na etapa de máxima maturidade artística de Salvador Dali, até mesmo no ano da morte de Gala", explica Francisco Mora.

Companheira de Dalí desde 1929 até sua morte em 1982, a russa Elena Ivanovna Diakonova, ou apenas Gala, também inspirou algumas peças, apresentadas na exposição. Em uma seção especial, a frase que se inicia com "Eu amo Gala mais que minha mãe..." contorna o espaço reservado a esculturas como Gala Gradiva e Gala na Janela, ambas de 1974.

A exposição Salvador Dalí – Esculturas – Surrealismo Tridimensional fica em cartaz até 15 de junho na Caixa Cultural, em Brasília. Depois, segue para Fortaleza e Recife.