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CulturaReino Unido

Cadernos de Darwin reaparecem misteriosamente após 22 anos

6 de abril de 2022

Cadernos com anotações haviam sumido há mais de duas décadas da biblioteca da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Agora, eles foram devolvidos em uma caixa com uma mensagem de "Feliz Páscoa".

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A imagem exibe um rascunho da chamada "árvore da vida", que inspirou a obra A Origem das Espécies. Abaixo do desenho da árvore, há uma série de anotações à mão.
Um dos manuscritos contém um rascunho da "árvore da vida", ideia que depois inspirou Darwin para escrever "A Origem das Espécies"Foto: Cambridge University Library/PA Media/dpa/picture alliance

Há mais de duas décadas, precisamente em novembro de 2000, manuscritos raros do naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882) foram retirados do arquivo da biblioteca da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, para serem fotografados.

Os cadernos, que contêm anotações do século 19, acabaram sendo dados como desaparecidos durante uma inspeção de rotina dois meses depois, dando início a uma busca que durou mais de duas décadas.

Agora, eles foram devolvidos de maneira inesperada e misteriosa.

Nesta terça-feira (05/04), a Universidade de Cambridge anunciou que os manuscritos foram deixados na biblioteca em uma grande caixa de presente cor-de-rosa junto com um envelope marrom no qual continha um breve desejo de "feliz Páscoa" ao bibliotecário, escrito desta forma: "Bibliotecário / Feliz Páscoa / X".

Avaliados em milhões de dólares, os manuscritos contêm rascunhos como o da "árvore da vida”, de 1837, feito por Darwin após sua viagem ao redor do mundo com o navio HSM Beagle, da Marinha Real Britânica. A partir desse esboço, o cientista produziu a sua obra-prima, "A Origem das Espécies", lançada em 1859.

Na época do desaparecimento das anotações, funcionários da biblioteca suspeitaram que o material poderia ter sido extraviado ou mesmo arquivado de maneira equivocada. Foram necessários vários anos até que a coleção de 10 milhões de livros da biblioteca de Cambridge fosse conferida. Um trabalho que, depois, provou-se inútil. Em outubro de 2020, foi reportado o roubo dos manuscritos à polícia.

A imagem mostra dois cadernos com anotações do naturalista britânico Charles Darwin. Um deles contém a letra B, e outro, a letra C. A aparência é de um bloco com capa dura, de cor marrom. Eles estão sobre caixas de cor verde.
Manuscritos foram devolvidos protegidos por plástico-filme e dentro das caixas originais de arquivo.Foto: Cambridge University Library/PA Media/dpa/picture alliance

Devolução não foi flagrada por câmeras

Na época da denúncia, a polícia local e a Interpol iniciaran uma investigação para reencontrar os registros históricos. No entanto, quase um ano e meio depois de terem sido denunciados como roubados, eles foram devolvidos.

Conforme informações divulgadas pela universidade, as anotações foram deixadas no lado de fora da sala dos bibliotecários, uma área que não é coberta por câmeras de vigilância, no dia 9 de março. Elas estavam embrulhadas em um plástico-filme, dentro da caixa de arquivo original, e não parecem ter sofrido danos.

A diretora da biblioteca, Jessica Gardner, disse que estava "encantada" e aliviada por ter recebido os manuscritos de volta: "Os cadernos podem agora retornar ao seu legítimo lugar, junto ao Arquivo de Darwin em Cambridge, no coração da herança cultural e científica do país, ao lado dos arquivos de Sir Isaac Newton e do Professor Stephen Hawking", celebrou.

Em um vídeo postado no Twitter, Gardner também anunciou que os manuscritos serão exibidos gratuitamente para o público em uma exposição chamada "Darwin in Conversation" (Darwin em Conversação), em julho.

"Nem sonhávamos que poderíamos incluí-los na exposição pública quando a planejamos, mas agora que eles estão de volta, poderemos fazer isso, e as pessoas terão a chance de vê-los", afirmou.

Gardner também agradeceu ao público e disse que tem certeza de que Darwin significa muito não somente para a Universidade de Cambridge, mas sim para o mundo todo.

A polícia do Condado de Cambridge informou que vai prosseguir com a investigação e pediu qualquer ajuda possível da população.

gb (AP, Reuters)