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Guiné-Bissau adia atualização dos cadernos eleitorais

Lusa
5 de janeiro de 2024

Governo guineense protela início da atualização dos cadernos eleitorais para data a anunciar.

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De acordo com constitucionalistas, a nova data das legislativas deveria ter sido marcada no ato de dissolução do parlamentoFoto: Fatima Tchuma/DW

O novo diretor-geral do Gabinete de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) da Guiné-Bissau, Jibril Baldé, anunciou hoje que aatualização dos cadernos eleitorais já não terá lugar neste mês de janeiro, mas numa data a ser marcada.

No passado dia 08 de dezembro, o então diretor-geral do GTAPE, Rui Miranda Lima, anunciou que a atualização dos cadernos eleitorais iria começar no dia 01 deste mês e para terminar a 29 de março em todo o território guineense.

Para os cidadãos guineenses residentes nalguns países da África e da Europa, o processo seria prolongado até ao dia 31 de março, enfatizou então Miranda Lima.

Lima era diretor do GTAPE, instituição sob tutela do Ministério da Administração Territorial e do Poder Local, no âmbito do Governo da coligação Plataforma Aliança Inclusiva (PAI- Terra Ranka) liderado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

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A PAI Terra Ranka venceu, com maioria absoluta, as últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, realizadas em junho de 2023, mas o seu Governo foi demitido no dia 04 de dezembro passado pelo chefe de Estado guineense, Umaro Sissoco Embaló.

O Presidente invocou uma grave crise institucional no país, com foco no parlamento, para dissolver o órgão e demitir o Governo, nomeando um executivo da sua iniciativa.

"Decisão inconstitucional"

O PAIGC acusa o Presidente de ter tomado uma decisão inconstitucional, por a Constituição impedir a dissolução do parlamento nos 12 meses após o ato eleitoral que ditou a sua formação, e ainda de ter colocado no Governo "pessoas que perderam as últimas eleições legislativas".

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 Jibril Baldé foi quem Rui Miranda Lima substituiu na direção do GTAPE, em agosto passado.

Na sua conferência de imprensa de hoje (05.01), para anunciar a impossibilidade do início da atualização dos cadernos eleitorais, conforme anunciado por Miranda Lima, Baldé afirmou que faltam observar "alguns aspectos técnicos operacionais" a nível do sistema de recolha e coleta de dados de potenciais eleitores.

O diretor do GTAPE disse que os aspetos em falta é que vão permitir que se faça a sincronização entre os dados de eleitores já inscritos e os novos a serem coletados no âmbito da atualização dos cadernos.

Jibril Baldé sublinhou, por outro lado, que não se pode proceder às atualizações dos cadernos eleitorais sem que esteja marcada a data das eleições legislativas.

De acordo com constitucionalistas, a nova data das legislativas deveria ter sido marcada no ato de dissolução do parlamento, o qual não poderia ocorrer antes de 04 de junho de 2024.

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