1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Papa quebra tradição e inclui mulheres e muçulmanos em ritual de Quinta-feira Santa

Doze detentos de uma prisão juvenil italiana participaram do ritual de lava-pés, entre eles mulheres e muçulmanos. Com o ato, Papa Francisco continua a quebrar protocolos e a tentar aproximar Igreja Católica dos fiéis.

O Papa Francisco quebrou mais protocolos e, nesta quinta-feira (28/03), lavou e beijou os pés de 12 internos – entre eles duas mulheres e dois muçulmanos – em uma prisão juvenil de Roma. O gesto foi uma versão sem precedentes de uma prática ancestral dos pontífices durante a Semana Santa e reflete os esforços da Igreja para se aproximar dos fiéis.

Até então, os antecessores de Jorge Bergoglio tinham como costume marcar o fim da quaresma na Basílica de São João de Latrão lavando os pés apenas de sacerdotes. A tradicional cerimônia era limitada aos homens, já que todos os apóstolos de Jesus eram homens.

Como arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio já havia incluído mulheres no ritual e tinha o costume de celebrar o chamado lava-pés em prisões, hospitais ou hospícios – parte do seu ministério para os mais pobres e marginalizados.

Ao levar a cerimônia para uma prisão juvenil, o Papa – eleito há apenas duas semanas – afirmou que queria estar mais perto daqueles que estavam sofrendo. Em uma homilia breve e improvisada, Francisco disse aos jovens reclusos que todos, inclusive ele, devem estar a serviço dos outros.

Papa Francisco foi entronizado em 19/03 e pediu que fiéis se preocupem com os mais desfavorecidos

"É o exemplo do Senhor. Ele foi o mais importante, mas ele lavou os pés dos outros. O mais importante é estar a serviço dos outros", disse. No total, o Pontífice se encontrou no centro prisional com 46 jovens – muitos deles ciganos ou imigrantes norte-africanos.

Pelo fato de os reclusos terem entre 14 e 21 anos e de grande parte deles ser menor de idade, o Vaticano e o Ministério de Justiça italiano limitaram o acesso da imprensa às dependências do centro de detenção.

Nova postura

O reverendo James Martin, padre jesuíta e autor do livro O Guia do jesuíta, disse que o ato de Francisco ao lavar pés de mulheres tem grande significado "A inclusão de mulheres nessa parte da celebração da Missa da Quinta-feira Santa era vista com maus olhos – e até mesmo banida de algumas dioceses", afirmou.

Após a missa, o Papa cumprimentou os presos e deu um ovo de Páscoa para cada um deles. "Não perca a esperança", disse. "Entende? Com esperança você pode sempre ir em frente."

Mais cedo, em missa no Vaticano na manhã desta quinta-feira, Francisco pediu que os padres católicos se dediquem a ajudar os pobres em vez de se preocupar em fazer carreira como "gerentes" da Igreja Católica.

O Papa Francisco foi entronizado em 19 de março em uma missa realizada na Praça de São Pedro, no Vaticano. Desde então, quebrou vários protocolos, como cumprimentar fiéis e beijar bebês, e chegou a descer do papamóvel para abençoar um homem deficiente.

Em sua homilia na missa inaugural, o Papa frisou que a Igreja Católica deve "abrir seus braços para proteger todos os povos de Deus e, com carinhosa afeição, abraçar toda a Humanidade".

Ele fez menção especial aos pobres e aos mais fracos, àqueles relacionados pela Bíblia no Juízo Final como "os famintos, os sedentos, os estrangeiros, os doentes e os encarcerados". Por diversas vezes, foi aplaudido pela multidão, estimada entre 150 mil e 250 mil pessoas.

FC/rtr/ap/afp/dpa

DW.DE