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Economia

ONU lembra importância da batata no combate à fome

Para aumentar a conscientização sobre um vegetal responsável, no passado, pelo crescimento populacional europeu e que, hoje, é essencial no combate à fome e à pobreza, a ONU declarou 2008 o Ano Internacional da Batata.

A batata é importante alimento para países em desenvolvimento

Através de conferências em todo o mundo e de uma campanha de conscientização sobre a importância da batata, e da agricultura em geral, no tratamento de questões relativas à fome, à miséria e às ameaças ao meio ambiente, a Organização das Nações Unidas declarou 2008 como o Ano Internacional da Batata.

Apesar de não agradar a alguns diplomatas, que consideram “anos internacionais” menos importantes que resoluções sobre conflitos mundiais, a ONU justifica que, atualmente, um dos principais desafios da comunidade internacional é assegurar o suprimento nutricional das gerações presentes e futuras e garantir a proteção dos recursos naturais.

Segundo dados da ONU, a população mundial aumentará em média, nas próximas duas décadas, em mais de 100 milhões de pessoas, anualmente. Mais de 95% deste aumento acontecerá em países em desenvolvimento, onde é intensa a pressão em torno da posse da terra e da água.

Pesquisa é fundamental

Batata foi planta ornamental

Desta forma, a ONU acredita que a batata deva ser um componente importante no combate à pobreza e à miséria. Sua produção é ideal em regiões que possuam escassez de terra e abundância de mão-de-obra, condições que caracterizam boa parte dos países em desenvolvimento. Além disso, o plantio do tubérculo produz alimentos mais rapidamente e em condições climáticas mais adversas que qualquer outro grande cultivo.

Em termos de quantidade de produção, a batata é, depois do milho, do trigo e do arroz, o alimento mais plantado no mundo. Mais da metade da produção mundial do tubérculo provém de países em desenvolvimento.

Nos últimos 40 anos, o consumo da batata diminuiu na Europa, mas duplicou entre os países em desenvolvimento e não é à toa que China, Rússia e Índia são, atualmente, os maiores produtores mundiais do vegetal. Estados Unidos, Ucrânia e Alemanha ocupam as posições seguintes.

Embora decrescente, o continente europeu ainda é líder mundial no consumo do vegetal – cada europeu come, em média, 96 quilos de batatas por ano. Nos países em desenvolvimento, esta cifra cai para 21 quilos anuais por habitante.

Fungo originário do México

China é primeiro produtor mundial de batata

O agrônomo e diplomata suíço Thomas Gass adverte, no entanto, para uma eventual dependência alimentar da batata entre os países em desenvolvimento.

Gass lembra que a fome que dizimou a população da Irlanda, durante o século 19, foi causada por um fungo originário do México, que contaminou as plantações locais de batata, então principal fonte alimentar do país.

"A pesquisa é fundamental para o combate a doenças de mutação", explica Gass. O agrônomo afirma, todavia, que o setor privado não estaria interessado nesse tipo de pesquisa de baixo lucro e daí a importância do apoio das Nações Unidas em aumentar a conscientização sobre o produto entre organizações públicas.

Plantada há 8 mil anos

O vegetal é originário dos Andes

Originária da região do Lago Titicaca, na fronteira entre Peru e Bolívia, onde já era plantada há 8 mil anos, a batata foi introduzida na Europa pelos conquistadores espanhóis, durante o século 16.

A semelhança com a batata-doce (batata em espanhol) levou à junção dos dois conceitos. Navegadores espanhóis e ingleses espalharam o produto pelo mundo e, no Brasil, o tubérculo ficou conhecido como batata-inglesa.

Inicialmente usada como planta ornamental, a batata passou a ser cultivada no continente europeu no século 17, na Irlanda, então colônia britânica. Sua importância nutricional foi logo reconhecida pelos governos de uma Europa devastada e dizimada pela Guerra dos Trinta Anos (1618–1648).

"O agricultor não come aquilo que não conhece"

Frederico 2° vigia pessoalmente o cultivo da batata

Entre os alemães, sua disseminação deveu-se à visão do rei Frederico 2° da Prússia ou Frederico, o Grande, que, através do "Decreto da Batata", uma Ordem Circular de 24 de março de 1756, obrigava seus súditos ao plantio do assim chamado tartufo ou Tartoffel, que deu origem à Kartoffel, palavra alemã para batata. Várias histórias envolvem a introdução deste componente essencial da cozinha alemã.

Além da distribuição gratuita de brotos, conta-se que Frederico 2°, famoso por suas conquistas militares, utilizou-se de uma inteligente estratégia para vencer a resistência da população camponesa da época, que pode ser entendida através do ditado popular alemão: "O agricultor não come aquilo que não conhece".

O imperador ordenou que soldados vigiassem plantações de batatas, fato que chamou a atenção dos agricultores para o valor do produto. Os soldados também foram instruídos a não interferir no roubo das batatas pelos camponeses, que provaram o produto, decidindo-se, finalmente, por plantá-lo.

Quilo de frango a um quilo de batata

Batata é mais que fastfood

Diferentemente de seus colegas do Bric (grupo formado pelos quatro mais importantes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), no Brasil a batata não teve a mesma sorte como teve na Alemanha. Em entrevista à USP Online, o professor Paulo César Tavares de Melo, presidente da Associação Brasileira de Horticultura, afirma que não há no Brasil uma cultura de consumo da batata e de sua importância nutricional.

Num país onde a proteína animal é barata, o consumidor prefere levar para casa um quilo de frango a um quilo de batata. Melo lembra ainda que, atrás do ovo e do leite, o tubérculo é o terceiro alimento com maior valor biológico [porcentagem do alimento que é usada pelo corpo].

O professor da USP sugere uma maior especificação dos diferentes tipos de batatas pelos supermercados. Purê e fritura, por exemplo, demandam diferentes tipos de batata. Se a batata frita fica oleosa é porque o tipo de batata usado não foi o correto, esclarece.

O Centro Internacional da Batata, centro de pesquisas científicas sediado no Peru, contabiliza 7,5 mil diferentes variedades de batatas. Dos diferentes tipos, cerca de 2 mil são silvestres.

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