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África

Nigéria: Conflito entre cristãos e muçulmanos adensa perigo de guerra civil

Ataques terroristas contra alvos cristãos geram instabilidade na Nigéria. Decretado o estado de emergência nalgumas regiões do país. Em caso de novos ataques islamistas a comunidade cristã promete ripostar com violência.

A seita radical islâmica Boko Haram quer impôr um Estado islâmico na Nigéria e escolheu a quadra natalícia para executar uma série de ataques bombistas, que matou mais de 40 pessoas, na sua maioria cristãos

A seita radical islâmica Boko Haram quer impôr um Estado islâmico na Nigéria e escolheu a quadra natalícia para executar uma série de ataques bombistas, que matou mais de 40 pessoas, na sua maioria cristãos

A Nigéria vive horas de tensão e medo de aumento das perseguições religiosas apesar de o presidente nigeriano Goodluck Jonathan ter declarado no domingo (01.01.) o "estado de emergência" em algumas regiões da Nigéria, na sequência de vários atentados terroristas, contra alvos católicos.

Os ataques são reveladores do forte conflito religioso que assola o país e que já causou mais de 40 mortos e várias dezenas de feridos.

Na quadra natalícia, uma onda de atentados contra igrejas cristãs nas cidades de Madalla, Jos e Damaturu causou a morte a mais de 40 pessoas. As ações foram reivindicadas pela seita radical islâmica Boko Haram / que quer impôr um Estado islâmico no país.

O presidente Jonathan considera que a crise nigeriana assumiu proporções perigosas e por essa razão decretou o estado de emergência.

Presidente nigeriano Goodluck Jonathan declarou o estado de emergência em algumas zonas do país no domingo (01.01.)

Presidente nigeriano Goodluck Jonathan declarou o "estado de emergência" em algumas zonas do país no domingo (01.01.)

“Enquanto procuramos uma solução duradoura - disse - temos de tomar medidas decisivas para restaurar a normalidade no país, especialmente no seio das comunidades afetadas. Consequentemente, declaro o estado de emergência."

Paralelamente, Goodluck Jonathan ordenou igualmente o encerramento de algumas fronteiras do país para tornar mais eficaz a luta contra as atividades terroristas.

Cristãos prometem ripostar com violência  

Na última quinta-feira (29.12), os cristãos nigerianos anunciaram que, caso a onda de violência prossiga, responderão igualmente com atos violentos aos ataques islamistas.

O presidente da Associação Cristã da Nigéria, Ayo Oritsejafor, informou que a comunidade cristã está a perder a confiança na capacidade do governo para proteger eficazmente a liberdade de culto.

No dia 28 de dezembro, depois dos ataques às igrejas executados no dia de Natal, foi bombardeada uma escola corânica onde se ensina a língua árabe e o Corão. Sete pessoas ficaram feridas.

Christof Sauer, do Instituto Internacional para Liberdade Religiosa, informou que "em 2009 foi realizada, pela primeira vez a nível mundial, uma sondagem para comparar a liberdade religiosa. O estudo concluiu que 70% da população mundial reside em países com fortes limitações religiosas.”

“Dois anos mais tarde – acrescentou – uma outra investigação mostrou  que 30% da população mundial é afetada pela deterioração dos direitos relacionados com a liberdade religiosa”, precisou.

Sauer sublinha que “na Nigéria, as pessoas são intercetadas em transportes públicos por islamistas e questionadas se são cristãs ou muçulmanas. Quando o interrogado diz que é cristão, é decapitado”.

Familiares choram a mortes das vítimas do atentado bombista na Igreja de Santa Teresa, em Madalla, levado a cabo pela seita islamista Boko Haram

Familiares choram as mortes vítimas do atentado bombista na Igreja de Santa Teresa, em Madalla, levado a cabo pela seita islamista Boko Haram

Na Nigéria, a seita radical islâmica Boko Haram encontrou o território ideal para desencadear ações extremistas de pendor anticristão. Cerca de metade dos 160 milhões de nigerianos ou são cristãos ou muçulmanos.

Emmanuel Ogbunwezeh, membro da Sociedade Internacional para os Direitos Humanos, a perseguição religiosa é um problema complexo cuja solução assente em três variáveis essenciais.

"Precisamos tratar o problema em três níveis. Na educação, no desemprego juvenil, que gera pobreza e na melhoraria das relações entre cristianismo e islamismo”, enfatizou.

Ogbunwezeh admite que “se a solução destes conflitos não for encontrada rapidamente, a Nigéria pode contar com mais ataques terroristas e, na pior das hipóteses, com uma guerra civil.”

Diversos estudos indicam que os conflitos religiosos se estão a tornar crescentemente mais fortes em todo o mundo. Sobretudo na Ásia, designadamente no Afeganistão e Paquistão, por exemplo, são comuns as ações violentas geradas por conflitos entre religiões, com particular relevo, entre cristianismo e islamismo.

Intolerância religiosa cresce em todo o mundo

Na Arábia Saudita a situação é igualmente preocupante. Dois milhões de imigrantes cristãos são vítimas de perseguições de índole religiosa.

Missas e outras práticas cristãs são estritamente proibidas e o governo de Riade veda o direito de conversão dos muçulmanos ao cristianismo.

Estudos realizados em 2011 indicam que na Índia também cresceu a pressão do governo e da sociedade civil sobre a comunidade cristã. Fenómeno idêntico é igualmente observado em países que passaram por períodos de refundação nacional, como por exemplo na Rússia, após o desmembramento da União Soviética.

No entanto, de acordo com a ONG Open Doors cristãos residentes em países como China, Irão, Myanmar, Vietname, Coreia do Norte e Turquia também são vítimas de perseguições por parte do Estado.

Com o advento da chamada “primavera Árabe”, em alguns países muçulmanos do Norte de África e do Médio Oriente, em 2011, pôde assistir-se a uma escalada das tensões religiosas contra as comunidades cristãs.

No Egito, só no ano passado, dezenas de milhares de cristãos foram obrigados a emigrar para escapar aos ataques dos militantes de grupos radicais islâmicos.

Entretanto, receia-se que o mesmo possa acontecer na Síria, após o eventual derrube do regime de Baschar Al Assad.

Muculmanos árabes durante a celebração do rito “Jamarat”, em Mina, nas imediações de Meca (08.11)

Muculmanos árabes durante a celebração do rito “Jamarat”, em Mina, nas imediações de Meca (08.11)

Autor: Bettina Riffel
Edição: Pedro Varanda de Castro/António Rocha

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