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Mãos Livre não aceitará interferências no caso Kalupeteka

Nádia Issufo6 de maio de 2015

O advogado da Associação Mãos Livres David Mendes espera que a partir de agora a via jurídica venha dominar os próximos momentos do caso Kalupeteka. Um grupo de advogados já se está a mexer para o defender.

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Sede da Associação Mãos Livres, LuandaFoto: DW/P.B. Ndomba

Em Angola, a Associação Mãos Livres está a tratar dos procedimentos burocráticos para que a Procuradoria da República permita a defesa de José Kalupeteka. David Mendes, membro desta Associação, lidera um grupo de 10 advogados que pretende defender o líder da seita religiosa "Igreja do 7º Dia a Luz do Mundo". Recorde-se que em meados de abril crentes desta igreja e a polícia se envolveram em confrontos que resultaram em mortos e feridos, entre eles polícias, em número até agora não devidamente confirmado. David Mendes espera que a via jurídica venha dominar os próximos momentos e já avisou que não permitirá influências políticas.

DW África: Pelo menos, já falou com José Kalupeteka?

David Mendes (DM): Ainda, estamos a tratar da tramitação. Esperamos que até amanhã (07.05) possamos ter o lado burocrático resolvido para nos próximos dias podermos ter o contacto com ele e sabermos quais são as acusações que pesam sobre ele.

DW África: Quando esperam ter uma resposta da Procuradoria da República?

DM: Neste momento os nossos colegas estão na comarca do Huambo, vamos esperar pela resposta. Queremos um contacto com o Kalupeteka para que ele assine a procuração e a partir daí, então vamos ver o estágio seguinte.

Angola Anwalt David Mendes
Advogado e membro da Associação Mãos Livres, David MendesFoto: DW/P.B. Ndomba

DW África: Agora que Kalupeteka está em lugar devidamente identificado não há impedimento para que o defendam?

DM: Formalmente não temos nenhum impedimento, porque a defesa é um direito, então não vemos formalmente nenhum impedimento. Mas às vezes por interesses do próprio regime político criam-se dificuldades para que alguém exerça esse seu direito, um direito de ser defendido de forma condigna.

DW África: Qual é o seu parecer sobre a forma como a Polícia e a Procuradoria da República estão a lidar com o caso Kalupeteka?

DM: Eu acho que houve um período de muita emoção, muitos discursos políticos, mas acho que agora a situação está mais serena, porque vamos sair dos discursos políticos e vamos para as questões jurídicas: os factos e o direito. Vamos analisar quais são os factos e qual é a norma que a Procuradoria e a Polícia pretendam que Kalupeteka responda.

DW África: As declarações de Kalupeteka e as suas imagens foram transmitidas apenas por órgãos de comunicação social do Estado. Haverá algum motivo para excluir os outros órgãos angolanos?

UNITA Flagge auf einer Kundgebung in Huambo in Angola
A próvincia do Huambo é um dos redutos da UNITA, o maior partido da oposição em AngolaFoto: DW/N. Sul D'Angola

DM: O nosso entendimento é que foi uma entrevista manipulada, porque tendo em conta a pressão nacional e internacional, porque se admitia a possibilidade dele estar morto ou numa situação de saúde delicada, apressadamente trouxeram-no a público, no mínimo, para dizer que ele está ai, está vivo e nada mais. Essa foi uma forma propagandística de se fazer anunciar a presença dele.

DW África: Kalupeteka terá aparecido publicamente rodeado de polícias, sem ferimentos, embora com uma cicatriz na cara. Também garantiu estar a ser bem tratado, uma imagem que não bate com as anteriores mostradas nas redes sociais...

DM: A nossa pergunta é: será que os depoimentos de Kalupeteka foram livres, não foram manipulados? Então, só depois de um encontro direto com ele é que poderemos, de facto, dizer se está bom, se não sofreu as agressões que se apresentavam e qual é o verdadeiro estado dele.

DW África: A Procuradoria Geral da República diz que o processo está em fase de instrução probatória, que está na fase de recolha de provas. O que tem a dizer em relação ao processo, ele corre de maneira regular?

DM: É uma falha grave, porque não se pode prender ninguém para se instruir um processo, para se investigar. Primeiro, recolhem-se as provas e tendo as provas então é que se prende a pessoa. Não se prende para investigar, esse é um erro muito grave em processo penal. Se se prende alguém antes de se saber qual é a norma jurídica em que se enquandra o seu comportamento, então isso põe em causa um verdadeiro Estado de direito que se pretenda que Angola seja.

DW África: Como o senhor espera que esse caso venha a ser conduzido dado os últimos acontecimentos?

DM: Para nós é mais um caso e será conduzido de acordo com as regras processuais que constam do código do processo angolano e não vamos permitir qual quer mistura deste caso com outros, qualquer interferência política.Não vamos permitir nenhuma interferência. Vamos querer um processo como são os demais.

Mãos Livres avisa que não aceitará interferências políticas no caso Kalupeteka

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