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Mundo

Muammar Kadafi, um ditador enigmático

Após mais de quatro décadas de ditadura sangrenta, o líder líbio foi morto em 20 de outubro de 2011. Quem foi este homem poderoso, de origem humilde, que o Ocidente tanto adulou antes de fazer cair implacavelmente?

Mais de 40 anos de ditadura tiveram fim em 2011

Mais de 40 anos de ditadura tiveram fim em 2011

Ainda no início de março de 2011, Muammar Kadafi estava plenamente certo: seu povo o adorava, sem exceção, e seria capaz de dar a vida para protegê-lo! Isto embora, áquela altura, o ditador já ter mandado esmagar, de forma brutal, as manifestações por reformas na Líbia que acabaram desencadeando uma cruel guerra civil. Durante a repressão, pelo menos 30 mil cidadãos foram mortos.

O líder gostava de se manifestar em público. Entre seus discursos mais célebres, esteve aquele em que ameaçava os "ratos" – como classificava os rebeldes –, prometendo caçá-los, de rua em rua, de casa em casa. O que ele não esperava é que os críticos do regime fossem se apoderar de suas palavras, transformá-las no computador, e mixá-las num "hit da revolução". Afinal, o sistema do autointitulado líder revolucionário não admitia sarcasmo contra sua pessoa.

Autonomia sabor Coca-Cola

Libyan President Col. Moammar Gadhafi arrives at Qubba Palace in Cairo accompanied by one of his female bodyguards Saturday, May 25, 1996. Egyptian President Hosni Mubarak walks behind Gadhafi. The Libyan President is expected to stay in Egypt for at least three days. (AP Photo/Enric Marti)

Ditador se fazia acompanhar por guarda feminina

Filho de simples beduínos, Muammar Kadafi nasceu em 1942 nas proximidades da cidade de Sirte. Em 1969 era aclamado como redentor da pátria: o coronel que, com o apoio de uns poucos militares, fizera cair o rei Idris. Em seguida, partia para impor sua concepção de democracia direta, colocando o destino do povo e do Estado nas mãos de comitês populares.

Os fundamentos do socialismo à la Kadafi estão compilados em seu assim chamado "Livro Verde". Motivado pelo ódio contra toda e qualquer forma de colonização, posicionou-se a favor da autonomia das nações africanas. Para tal, não hesitava em empregar explicações apelativas, como por ocasião de um discurso na Guiné, em 2007:

"Vocês conhecem a Pepsi-Cola? Claro que conhecem. E a Coca-Cola? Quando pedimos Pepsi-Cola ou Coca-Cola, eles sempre dizem que são bebidas norte-americanas ou europeias. Mas não é verdade, pois os ingredientes vêm da África, eles os compraram barato, processaram, e depois os venderam para nós mais caro. Precisamos produzir e vender nossa própria Coca-Cola."

Sua noção de democracia direta e independência desembocaram numa ditadura cujos opositores eram brutalmente calados. Kadafi enriqueceu com os lucros dos negócios de petróleo, mas também cuidou para que o nível de vida dos líbios se posicionasse entre os mais elevados da África.

A boy holds pre-Moammar Gadhafi flags during celebrations of the capture in Tripoli of his son and one-time heir apparent, Seif al-Islam, at the rebel-held town of Benghazi, Libya, early Monday, Aug. 22, 2011. Libyan rebels raced into Tripoli Sunday and met little resistance as Gadhafi's defenders melted away and his 42-year rule rapidly crumbled. (Foto:Alexandre Meneghini/AP/dapd)

Guerra civil mobilizou grande parte da população líbia

Terror por encomenda

Já em 2002, Kadafi forneceu os impulsos e meios financeiros decisivos para a criação da União Africana. Na qualidade de "Rei dos Reis da África", empregou bilhões na infraestrutura e turismo dos países africanos irmãos, mandou construir estradas e pontes, angariando a simpatia de muitos africanos. Também por esse motivo, durante a guerra civil especulou-se longamente se um país do continente não iria lhe oferecer asilo.

Do ponto de vista internacional, sua biografia assumiu características macabras no momento em que se destacou como padrinho do terrorismo. Grupos como a alemã Facção do Exército Vermelho (RAF) ou o irlandês IRA treinavam na Líbia, e ele apoiava rebeldes no Chade e em Gana.

Consta que armas soviéticas chegaram à Palestina através da Líbia. E numerosos atentados terroristas teriam ocorrido por encomenda do regime Kadafi. Dessa longa lista, constam o golpe a soldados estadunidenses na discoteca La Belle, em Berlim, ou o ataque contra o avião de passageiros dos EUA que caiu sobre a localidade de Lockerbie, na Escócia.

ARCHIV - Der libysche Revolutionsführer Muammar al-Gaddafi darf am 23.09.2009 während der Generaldebatte der Vereinten Nationen vor der UN Vollversammlung reden. Nun wird er per Haftbefehl gesucht. Der Internationale Strafgerichtshof (IStGH) in Den Haag erließ am Montag (27.06.2011) Haftbefehl gegen Gaddafi. Die IStGH folgte der Staatsanwaltschaft, die ihm Morde an hunderten Zivilisten, Folter, militärische Gewalt gegen Zivilisten und organisierte Massenvergewaltigungen vorwirft. Foto: JASON SZENES dpa +++(c) dpa - Bildfunk+++

Guarda-roupa chocante era marca registrada de Kadafi

Tirano excêntrico

Kadafi sempre negou qualquer envolvimento nesses crimes. Numa entrevista em 1985, após o sequestro de um avião egípcio a caminho de Malta, que teve um fim sangrento, ele afirmou: "Acho estranho se procurar uma relação entre a Líbia e esse trágico incidente. Nossa política e nossa moral são inteiramente contra sequestros de aviões. Somos contra tais atos, ou mesmo tentativas, apoiamos a luta justa em prol da liberdade no mundo".

Em 2003 ocorreu uma reviravolta: Kadafi renunciou às armas de destruição em massa, foram suspensas as sanções da Organização das Nações Unidas contra seu país. Chefes de governo ocidentais, de Tony Blair a Gerhard Schröder, foram bater à porta de Trípoli para se beneficiar da riqueza petroleira líbia.

Ao apresentar-se em público, o líder líbio sempre chamou a atenção através de seu vestuário inusitado, até mesmo provocador. Na cúpula do G8 de 2009, na Itália, ele decorou seu terno com uma foto do combatente Omar Mukhtar, o qual, nas décadas de 20 e 30, lutara contra a colonização italiana. Apesar disso, o filho de Mukhtar se colocou do lado dos rebeldes líbios, no início de 2011 – contra Muammar Kadafi.

Autoria: Hans-Michael Ehl (av)
Revisão: Carlos Albuquerque

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