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Moçambique desce no Índice de Governação por causa do conflito

Philip Sandner / Madalena Sampaio / Lusa29 de setembro de 2014

A insegurança fez Moçambique descer no Índice Ibrahim de Governação Africana. Angola também desceu na tabela, tal como a Guiné-Bissau, que está entre os países que mais piorou. Cabo Verde é o melhor entre os PALOP.

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O milionário sudanês Mo IbrahimFoto: Mo Ibrahim Foundation

Cabo Verde continua a ser o melhor entre os países lusófonos na avaliação do Índice Ibrahim de Governação Africana de 2014, que avalia fatores como educação, saúde, segurança, direitos humanos, desenvolvimento e economia de 52 países. O arquipélago recuperou o segundo lugar ao Botsuana, ficando apenas atrás das Ilhas Maurícias.

São Tomé e Príncipe continua a progredir na avaliação, mas perdeu um lugar na tabela e caiu para o 12º posto.

Joaquim Chissano
Joaquim Chissano, laureado com o Prémio Mo Ibrahim (2007)Foto: DW/B. Darame

Sobretudo devido à maior insegurança registada em Moçambique, por causa do conflito entre o governo e a RENAMO, o país recuou duas posições no Índice e está agora em vigésimo segundo lugar.

Angola também inverteu a tendência dos últimos anos de subida e desceu para o lugar 44 na lista. A Guiné-Bissau, na posição 48, caiu para o grupo dos cinco piores entre os países avaliados.

Governação em África continua a melhorar

Esta segunda-feira (29.09), no início da conferência de imprensa da sua fundação, Mo Ibrahim disse ter notícias positivas. “A governação continuou a melhorar. O progresso registado nos últimos cinco anos, em comparação com anos anteriores, tenha diminuído ligeiramente. São boas notícias, mas temos de fazer melhor”, sublinhou o milionário sudanês.

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A Fundação Mo Ibrahim, homónima do empresário que a criou em 2006, apoia a boa governação e a liderança em África. Todos os anos, elabora o Índice Ibrahim, para informar e ajudar cidadãos, sociedade civil, parlamentos e governos a medir o progresso.

Segundo o Índice de 2014,as melhorias económicas estão a contribuir menos para o progresso do continente. E há também outras surpresas, como anunciou o magnata sudanês. "Na verdade, as grandes melhorias em termos de governação ocorreram em alguns países que ocupam as posições mais baixas na tabela. A Costa do Marfim está a registar enormes progressos, seguindo-se a Guiné, o Níger e o Zimbabué.”

Além destes quatro países, também o Senegal está entre os cinco países que mais evoluíram nos últimos cinco anos.

Os motivos para estas alterações são conhecidos, disse Mo Ibrahim, lembrando que os conflitos nesses países foram resolvidos. Ainda assim, sublinhou, “é encorajador que estes países tenham conseguido inverter a tendência.”

"Nem tudo é perfeito" afirma Mo Ibrahim

Por outro lado, o empresário defendeu que os primeiros classificados não devem baixar os braços. Embora as Ilhas Maurícias, Cabo Verde, Botswana, África do Sul e Ilhas Seychelles se mantenham no topo do índice, nem tudo é perfeito.

Pedro Pires
Pedro Pires, laureado com o Prémio Mo Ibrahim (2011)Foto: AP

“Até entre os cinco países com melhor classificação, mesmo que tenham continuado a melhorar em geral, há negligência nalgumas categorias. Por isso, dizemos: amigos, estejam atentos. Só porque são muito bons, não significa que sejam perfeitos. Têm de travar essas tendências negativas.”

O Egito foi o país com pior desempenho desde 2009, caindo para o lugar 46 na lista de 52 países. No fundo da classificação estão a Somália, a República Centro-Africana, a Eritreia, o Chade e a Guiné-Bissau.

Segundo a Fundação, em todos os países afetados pelo vírus do ébola foram registados progressos. Como serão os números desses países no próximo ano, continua a ser especulação. O que é certo é que é preciso abordar a questão de forma racional, advertiu Mo Ibrahim.

Quanto ao vencedor do prémio que distingue a boa governação em África, que até agora era anunciado juntamente com o índice, só deverá ser conhecido em fevereiro de 2015. Ainda não se sabe se haverá ou não um vencedor. Em mais de metade dos casos, o prémio não foi atribuído devido à falta de candidatos adequados.