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"Mais debates em Moçambique sobre direitos humanos são necessários"

Romeu da Silva (Maputo)17 de janeiro de 2014

“Direitos Humanos em África: questões moçambicanas”, livro do ativista Josué Bila, convida os jornalistas do país a abordar o tema dos direitos humanos pela sua dimensão social e não judicial ou policial.

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Jornalista e ativista mocambicano, Josué BilaFoto: DW/R. da Silva

“Direitos Humanos em África: questões moçambicanas” é a mais recente obra do jornalista moçambicano e ativista dos direitos humanos, Josué Bila. Trata-se de uma obra que lança um desafio aos jornalistas na abordagem de questões ligadas aos direitos humanos no país, que para o autor, negligencia os direitos fundamentais na vertente social.

Bila entende que os jornalistas moçambicanos devem abordar esta matéria sob o ponto de vista da Declaração Universal dos Direitos Humanos. As produções sobre os direitos humanos existentes em Moçambique, diz Bila, são muito fragmentadas.

Segundo o ativista a consciencialização e o interesse pelas temáticas "depende necessariamente, não só do jornalista, mas também dos próprios editores dos jornais". Falar dos interesses humanos é para Bila "falar de questões políticas muito fortes", e para ele, o debate acerca dos direitos fundamentais em África, "é extremamente problemático porque ainda não aceitamos questões muito básicas de uma ética universal".

Debate " judicializante e policializante"

Alerta que é insuficiente o número de jornalistas especializados na área dos direitos humanos e que em Moçambique, a abordagem sobre esta matéria não inclui o direito à saúde, à educação ou acesso à água. Inclui por sua vez, direitos ligados à liberdade de expressão ou à salvaguarda de cidadãos vítimas de maus tratos policiais. "Parece que o nosso debate em Moçambique sobre direitos humanos é judicializante e policializante", algo que Balé quer romper, propondo-se trazer para discussão também questões sociais.

Buch Buchcover Direitos Humanos em África: questoes moçambicanas von Josué Bila
“Direitos Humanos em África: questões moçambicanas” é a obra que incentiva ao debate dos direitos humanosFoto: DW/R. da Silva

Em Moçambqiue, assim como em todo o continente africano, os interessados na matéria dos Direitos Humanos devem tentar adequar o assunto à realidade de África. Nos países europeus e nos Estados Unidos da América, os direitos humanos têm as suas especificidades que podem não se coadunar com aquilo que são as políticas africanas.

"Um debate mais inteligente para Moçambique"

"Eu acho que os jornais moçambicanos deviam ler a história moçambicana, ler muito antropologia ligada à nossa ancestralidade, aos nossos usos e costumes e à nossa política para propor um debate mais inteligente para Moçambique", reitera Bila.

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Daí que para uma melhor abordagem destas questões fundamentais, Alice Mabota, Presidente da Liga Moçambicana dos direitos do Homem tenha proposto recentemente que os direitos humanos sejam lecionados a partir do ensino básico. Para a ativista moçambicana “o país ainda está longe” de salvaguardar estes direitos.

Mabota aceita que o país avançou mas ressalva que "em termos de governação nós estamos em péssimas condições". "Democracia falta muito no nosso país, boa governação falta muito no nosso país, direitos humanos falta muito... é um longo caminho a percorrer", conclui Alice Mabota.

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