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Luso-africanos nas passarelas de Lisboa

João Carlos (Lisboa)10 de outubro de 2014

Modelos lusófonos desfilam na Moda Lisboa, que apresenta as coleções de estilistas portugueses e internacionais para a próxima primavera e verão de 2015, e são cada vez mais requisitados pelas agências do ramo.

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A modelo cabo-verdiana Alécia Morais, que está na capital portuguesa para participar da Moda LisboaFoto: Dabanda Models Agency

Começou esta sexta-feira (10.10) a 43ª edição da Moda Lisboa, evento com duração de três dias. Na passarela lisboeta, também desfilam manequins africanos que já conquistaram o mercado da moda e jovens talentos com bastante potencial procurados pelas grandes marcas mundiais.

O guineense Fernando Cabral entrou casualmente no mundo da moda, aos 23 anos, a convite de dois estilistas angolanos que participaram na Moda Lisboa de 2010.

"Abordaram-me, viram-me, como é normal. Perguntaram-me se eu gostaria de participar no desfile deles. Eu não era modelo, fiquei surpreendido. Aceitei, depois de uma conversa com meu irmão," revela.

O irmão de Fernando é Armando Cabral, igualmente a fazer carreira internacional nos Estados Unidos. Fernando Cabral tinha vergonha e timidez. Atualmente, com os pés entre Nova Iorque e nas capitais europeias da moda, encara isso com naturalidade.

Beleza cabo-verdiana

Alecia Morais
"O meu sonho é ser uma grande modelo a nível internacional,"´diz Alécia MoraisFoto: DW/João Carlos

Em 2012, a cabo-verdiana Alécia Morais, de 17 anos, venceu o concurso da Elite Models Look de seu país. Em Shangai, na China, representou Cabo Verde tendo ficado no Top 15 entre as finalistas.

"Fiquei feliz porque é um sonho que eu não estava à espera de ser a eleita," conta.

Foi assim que começou a carreira como manequim, tendo já desfilado na Moda Lisboa. Para já, deixou os estudos do ensino médio, porque a agenda dos eventos obriga a fazer muitas viagens.

"Ando a viajar muito. Estive no Fashion Week agora em Londres, também em Milão. Já fiz também o Fashion Week em Paris," enumera a modelo.

A jovem, que veio de Cabo Verde pelas mãos da agência Dabanda para o desfilar este fim de semana em Lisboa, sente-se feliz e orgulhosa por estar a representar o seu país no estrangeiro.

Alécia Morais, praticamente no início de carreira, e Fernando Cabral, já com mais experiência nas passarelles internacionais, são dois exemplos de manequins africanos bastante procurados no mundo da moda.

África oferece muito potencial, afirma o angolano Ary Amado, da Karacter Models. O agente do jovem guineense aponta algumas singularidades que atraem os estilistas mundiais.

"A musicalidade, a expressão que nós temos no corpo, o sorriso, o brilho da pele. Tudo isso faz com que atrás da câmera se cative, porque há tal potencialidade."

Angolanas em destaque

Fernando Cabral
O guineense Fernando Cabral entrou casualmente no mundo da moda, aos 23 anos, a convite de dois estilistas angolanos e participou da Moda Lisboa 2010Foto: DW/João Carlos

Agências como a angolana Dabanda, com pólo em Lisboa, cuidam da carreira dos modelos selecionados com muito rigor. É uma das exigências para o sucesso, refere Sandra Teixeira, agente da jovem cabo-verdiana Alécia.

"Temos casos de várias modelos com sucesso. A nossa modelo, a primeira vencedora do Elite Models Look em 2010, foi a Roberta Narciso de Angola. Tivemos recentemente a Elsa Baldaia, que também saiu do concurso de 2011. Temos a Alécia, também de 2012. Temos também a Malza António que saiu do concurso de 2011, que estão atualmente todas lá fora a trabalhar," refere Teixeira.

No passado recente, lembra Sandra, os modelos africanos não eram muito requisitado. Sandra recorda o caso da manequim angolana, Amilna Estevão, a primeira modelo negra a ficar nos primeiros três lugares na final do concurso Elite Models Look Mundial, realizado em 2013, na China.

"A modelo negra está a ser muito requisitada. Agora, graças a Deus, as nossas modelos da Dabanda, são modelos altíssimas, magríssimas, lindíssimas, que têm grandes futuros à frente," garante.

Europa com limites

Fernando Cabral
Fernando Cabral revela que nunca se sentiu discriminado no mundo da modaFoto: DW/João Carlos

Embora os modelos africanos tenham vindo a conquistar o seu lugar a nível mundial, particularmente na Europa, ainda existem algumas barreiras impostas pelos próprios consumidores, dá conta Ary Amado.

"O próprio africano não se enquadra em todo o tipo de marcas, em todo o tipo de trabalho. A Europa é predominada pelos caucasianos e por isso, a partir daí, o próprio africano não pode predominar nas campanhas a nível europeu," avalia.

Mas, Fernando Cabral, que veio para Portugal com cinco anos, assegura que nunca se sentiu discriminado.

"Não, não. Graças a Deus, nunca até hoje. Nunca senti que alguma coisa aconteceu por x motivo, por alguma discriminação. Se aconteceu, não me apercebi, porque estava muito focado no que realmente queria fazer," considera.

Os modelos entrevistados pela DW participam este fim de semana na 43ª edição da Moda Lisboa, que, segundo os seus agentes, constitui necessariamente uma rampa de lançamento para os que dão os primeiros passos no mundo da moda.

No evento deste ano, estes são apenas alguns dos muitos manequins de África ou com origem africana que já conquistaram ou têm vindo a conquistar espaço por uma carreira promissora.

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