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Mundo

Lobby de armas dos EUA acusa Obama de "hipocrisia elitista"

Iniciativa em favor de leis mais rígidas de controle de armas de fogo recebe críticas do lobby de armas e elogios da sociedade civil. Senadores sinalizam que não será fácil aprovar plano no Congresso.

O presidente dos EUA, Barack Obama, deverá enfrentar dura resistência no Congresso ao seu pedido por leis mais rígidas de controle de armas de fogo no país. "Estou seguro de que haverá uma oposição suprapartidária contra as suas propostas", disse em comunicado o senador republicano Lindsey Graham.

O senador reage assim à exigência de Obama de que, entre outros, seja proibida a venda de fuzis de assalto e carregadores com mais de dez balas de munição. O presidente norte-americano também quer uma verificação mais rigorosa dos compradores de armas de fogo.

Também o líder da bancada democrata no Senado, Harry Reid, reagiu com reservas ao anúncio. Segundo o jornal Washington Post, Reid declarou que o presidente fez "sugestões cuidadosamente elaboradas". Ele disse que irá considerar em breve "um projeto de legislação que aborda a violência por armas e outros aspectos da violência em nossa sociedade."

O político democrata declarou ainda estar preocupado que seu partido venha a perder votos nas próximas eleições parlamentares, em novembro de 2014, principalmente em regiões rurais com muitos defensores do uso de armas. Somente legisladores podem apresentar projetos de lei no Congresso, não o presidente.

Presidente quer aumentar controle sobre compradores de armas

Críticas da NRA

Além de seu pedido por uma legislação mais rigorosa das armas de fogo no país, o presidente norte-americano assinou, nesta quarta-feira (16/01), 23 ordens executivas que reforçam o cumprimento da legislação existente e que não precisam de apreciação pelo Congresso. A iniciativa de Obama acontece quatro semanas após o massacre de 20 crianças e seis adultos numa escola de Newtown, cidade do estado norte-americano de Connecticut.

Poucas horas após o anúncio do presidente, a Associação Nacional de Rifles dos EUA (NRA, na sigla em inglês), principal lobby de armas do país, publicou um vídeo na internet em que acusa Obama de "hipocrisia elitista". O presidente se posiciona contra o emprego de vigilância armada nas escolas, mas guarda-costas acompanham diariamente suas filhas até a escola, argumentou o lobby de armas.

A NRA critica ainda que somente portadores de armas "honestos e justos" seriam afetados. As crianças continuariam correndo o risco de um novo massacre, disse o lobby de armas. "Nossa prioridade maior é proteger nossas crianças e nossa sociedade", assinalou a organização.

Elogios para Obama

Projeto de Obama prevê investigar vendedores de armas

No entanto, segundo pesquisa de opinião da agência de notícias AP, a ira dos entrevistados frente ao massacre em Newtown supera até mesmo a fúria sentida após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Segundo a pesquisa, seis em cada dez cidadãos do país defendem leis mais rigorosas de controle de armas, e 84% dos entrevistados declararam ser a favor de averiguações mais rigorosas de proprietários de armas.

Os apoiadores de um controle mais acirrado de armas de fogo elogiaram a iniciativa de Obama. Numa primeira reação ao discurso do presidente, o diretor da Coalizão para Parar a Violência de Armas de Fogo, Josh Horwitz, disse que o presidente deu um passo adiante "incrivelmente significativo".

O Centro de Política de Violência (Violence Policy Center), organização de pesquisa que faz trabalho de lobby contra armas de fogo em Washington, declarou que a iniciativa de Obama irá deter a "violência cotidiana por armas de fogo", que destrói "muitas famílias e vizinhanças". Associações de médicos também expressaram seu apoio a Obama.

A Coalizão para Parar a Violência de Armas de Fogo apelou aos cidadãos norte-americanos para que façam pressão sobre deputados e senadores. Obama admitiu que não será fácil impor a iniciativa. Ela só terá êxito se "o povo norte-americano exigir". Segundo estimativas, existem por volta de 200 milhões de armas de fogo nos EUA. Desde o massacre de Newtown, elas já ocasionaram a morte de 900 pessoas no país.

CA/dpa/epd/dapd
Revisão: Alexandre Schossler

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