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Mais África

Guiné-Bissau "parou de funcionar", diz jornal alemão

Artigo explica golpe de Estado na Guiné-Bissau com questão do narcotráfico e política de desmilitarização do governo anterior. Expansão de mandato da Bundeswehr na Somália e Kizomba entre os destaques da imprensa alemã.

Revista de imprensa

Revista de imprensa

"Pane no funcionamento", titula o jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) num artigo publicado na quinta-feira (19.04), uma semana após o golpe de Estado que destituiu o presidente interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro e candidato presidencial Carlos Gomes Júnior na Guiné-Bissau. Os dois dirigentes estão detidos, em poder dos militares.

O subtítulo do artigo explica, em poucas palavras, que a "junta" que tomou o poder na Guiné-Bissau – ou seja, o Comando Militar – procura apoios, e que os militares deram o golpe porque o favorito à vitória nas presidenciais antecipadas – Carlos Gomes Júnior, "admirado pela comunidade internacional" – queria combater o narcotráfico, "lucrativo para o setor militar".

O jornalista Jochen Stahnke destaca ainda que "um golpe de Estado na Guiné-Bissau é mais uma regra que uma exceção", e lembra que, "desde 1974, nenhum presidente conseguiu terminar o mandato. Por vezes, como no caso do antigo presidente João Bernardo 'Nino' Vieira, há três anos atrás, os presidentes nem sobreviveram ao mandato".

Lancha supostamente usada no tráfico de drogas ancorada em Bissau, em 2007

Lancha supostamente usada no tráfico de drogas ancorada em Bissau, em 2007

O FAZ ainda lembra que o golpe na Guiné-Bissau é o segundo, em poucas semanas, na região ocidental africana – depois do golpe de Estado no Mali, a poucas centenas de quilômetros da Guiné-Bissau. E, tal como no Mali, a Guiné-Bissau se encontrava em processo eleitoral.

O jornal suíço em língua alemã Neue Zürcher Zeitung publicou matéria factual sobre o golpe também na quinta-feira (19.04), dizendo que o autodenominado Comando Militar e os partidos da oposição assinaram um acordo prevendo um período de transição de dois anos na Guiné-Bissau para a reposição da ordem constitucional.

Desmilitarização e tráfico de drogas terão sido motivos para o golpe

Já o jornal alemão FAZ relata que o fato de o oposicionista Kumba Ialá, segundo colocado na primeira volta de 18.03, ter acusado o partido governista PAIGC de "fraude" e, principalmente, ter anunciado que não haveria segunda volta, levou alguns observadores a enxergarem na última declaração "uma ordenação do golpe militar".

"O antigo presidente Koumba Yalá conseguiu abrigar muitos membros da própria etnia, os balanta, no exército, durante o seu mandato (2000 – 2003). Na segunda-feira (16.04), Ialá condenou o golpe – após dias de silêncio", comenta o FAZ.

Golpe terá sido última chance para evitar desmilitarização e combate ao tráfico de drogas, escreve jornal

Golpe terá sido "última chance para evitar desmilitarização e combate ao tráfico de drogas", escreve jornal

Stahnke avalia ainda que o golpe era "provavelmente a última oportunidade dos militares de impedir a eleição de Carlos Gomes Júnior e de evitar a sua política de desmilitarização". Segundo o relato do FAZ, a Guiné-Bissau é o único país da região que conseguiu conquistar a própria independência através de luta armada.

"Muitos militares deduzem privilégios desse fato", escreve o FAZ. "Ao contrário, o abastado homem de negócios Carlos Gomes Júnior é um filho da formação colonial de elite – como primeiro-ministro, ele já tentara reformar as forças de segurança, querendo aumentar o poder da polícia em relação aos militares e reduzindo o efetivo militar em um quarto".

A política das novas forças policiais, que Gomes Júnior queria continuar como presidente, teria como objetivo principal lutar contra o tráfico de drogas neste país ocidental africano conhecido como placa giratória da droga entre a América do Sul e a Europa. "O setor militar tem larga participação no tráfico de drogas", relata o jornal.

Manuel Serifo Nhamadjo, nomeado presidente da Guiné-Bissau pelo Comando Militar; ONU rejeitou nomeação

Manuel Serifo Nhamadjo, nomeado presidente da Guiné-Bissau pelo Comando Militar; ONU rejeitou nomeação

"Especialmente o antigo chefe da marinha, Bubo Na Tchuto, teve papel de destaque nesse contexto. Ele é um dos maiores chefes da droga do país e, oficialmente, ainda está em poder dos militares. Mas também existem rumores segundo os quais ele estaria compactuando com os soldados", diz o FAZ, que também diz que colaboradores próximos do ex-presidente Kumba Ialá estariam envolvidos no tráfico de drogas. Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, somente em dezembro de 2011,16 toneladas de entorpecentes teriam sido negociadas pela Guiné-Bissau.

Sobre a retirada oficial da missão de cooperação militar angolana da Guiné-Bissau, a Missang, o FAZ escreve que, possivelmente, "Luanda quer proteger assim os seus investimentos na Guiné-Bissau, como os anunciados 500 milhões de dólares previstos para a ampliação de uma mina de bauxite. A saída também deverá ser uma maneira dos angolanos de não se indispor com a 'junta'", avalia o jornal alemão, que cita ainda agências noticiosas dizendo que "os soldados angolanos ainda estariam na Guiné-Bissau".

A praia como zona de combate

Tal é o título da matéria do diário Tagesspiegel, que comenta um assunto de destaque no noticiário alemão na semana que passou: o governo alemão decidiu que a Bundeswehr, o exército alemão, também poderá combater piratas somalis em terra. Até agora, o mandato permitia apenas o combate à pirataria em alto-mar.

A função adicional faz parte de uma ampliação do mandato dos soldados alemães no âmbito da missão europeia "Atalanta" de combate à pirataria no litoral somali. Segundo a decisão do governo alemão, os soldados do país também poderão realizar ataques aéreos a até dois quilômetros da praia. Segundo analistas, ao contrário de decisões anteriores, a oposição deverá barrar a aprovação dessa permissão extra no parlamento alemão, a 11.05. A Alemanha participa da "Atalanta" com 230 tripulantes.

Política de combate ao tráfico de drogas do primeiro-ministro Cadogo (foto) terá sido um dos motivos para o golpe de Estado

Política de combate ao tráfico de drogas do primeiro-ministro "Cadogo" (foto) terá sido um dos motivos para o golpe de Estado

A decisão causou muita controvérsia na Alemanha. O Tagesspiegel citou a justificativa do ministro da Defesa da Alemanha, Thomas de Maizière, que disse que a missão alemã no âmbito da "Atalanta" não teria nova qualidade, mas que o combate aos piratas em terra seria uma opção "pequena, útil e adicional". Já a oposição considera tal opção "perigosa e desnecessária". Os críticos costumam apontar os chamados "danos colaterais" como razão para a resistência ao combate em terra – o que poderia, segundo observadores, prejudicar a legitimidade da missão.

"E de Maizière tem um problema próprio bastante especial: até há pouco tempo atrás, ele mesmo considerava o novo mandato da UE, decidido em março [e que prevê o combate em terra], arriscado e supérfluo".

Kizomba: de Angola para o mundo

O diário suíço Neue Zürcher Zeitung publicou reportagem nesta sexta-feira (20.04), descrevendo o Kizomba, "dança de pares celebrado no mundo lusófono e que obriga à comodidade. O Kizomba é como um pêndulo, como mostra Sonho 2012, uma música da cantora Isidora na nova compilação Kizomba", descreve o artigo.

Os "doces sons" são completados pela dança de pares, com "pulos refinados e movimentos de quadril". "Mas não é preciso dançar sempre ao som do Kizomba. Também é possível sonhar na mesa de bar ouvindo este ritmo", que o jornal diz que é "como se a canção Sexual Healing, de Marvin Gaye, tivesse feito escola – ao menos no que diz respeito ao ritmo, ao sentimento e à atmosfera erotizada" que evoca.

Soldados da marinha alemã em ação no Corno de África

Soldados da marinha alemã em ação no Corno de África

O jornalista Hans Keller escreve ainda que o Kizomba "é um certo derivado do Zouk", surgido nos anos 1980 nas Antilhas francesas, Martinica e Guadalupe. E que surgiu em Angola na mesma altura. "É característico que um estilo de misturas como o Zouk tenha criado inovações musicais ao chegar num local com estilos regionais claros, mas que não tinham muito potencial de inovação. A fusão acabou gerando essa inovação", avalia Keller, que lembra ainda que, como o Kuduro – "mais duro" – o Kizomba se espalhou pela Europa inteira a partir de Portugal.

"Atualmente, quase todas as grandes cidades possuem uma cena de Kizomba – metrópoles como Amsterdã, Bruxelas ou Boston desenvolveram uma estilística local, onde os músicos de Cabo Verde tiveram papel fundamental. "Muitos 'Kizombeiros' – como Ricky Boy, Djodje e Suzanna Lubrano – são de origem cabo-verdiana, como a conhecida Lura" – que na compilação apresenta o "talvez mais conhecido Kizomba de todos: "Na Ri Na", lembra o Neue Zürcher Zeitung.

Autora: Renate Krieger
Edição: António Rocha

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