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Moçambique

Fome em zonas produtivas é "contradição" que Moçambique quer resolver

250 mil famílias moçambicanas de 35 distritos precisam de ajuda alimentar urgente. É, sobretudo, no centro e sul do país que há mais fome. Também em zonas consideradas produtivas há pessoas que precisam de alimentos.

É necessária ajuda alimentar também em zonas consideradas produtivas

É necessária ajuda alimentar também em zonas consideradas produtivas

Má nutrição das crianças preocupa responsáveis

Má nutrição das crianças preocupa responsáveis

O executivo moçambicano está preocupado com o facto de haver pessoas a passar fome em zonas consideradas produtivas.

Nestas regiões, as crianças estão a ficar malnutridas por não conseguirem aceder aos alimentos, por desconhecerem o seu valor nutricional e por não terem dinheiro para os comprar, como refere Júlia Nhancule, nutricionista no Ministério da Saúde moçambicano:

“Muitos dos alimentos não são consumidos. Eles são comercializados para que haja uma troca de bens, uma aquisição monetária.”

Acabar com a fome passa também por uma maior educação nutricional, diz:

“É preciso uma grande sensibilização nutricional nas comunidades porque os alimentos estão lá presentes. Então, temos que reforçar as estratégias de educação nutricional e dotar as comunidades de conhecimentos sobre a alimentação para inverter este cenário.”

Nem todos conseguem aceder aos alimentos em zonas consideradas produtivas

Nem todos conseguem aceder aos alimentos em zonas consideradas produtivas

“É uma contradição”

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, também está preocupado com as crianças que vivem nas zonas produtivas e que se apresentam malnutridas.

No terreno, há um trabalho das Nações Unidas, do governo e de outros parceiros, que visa procurar soluções para os problemas da má nutrição em regiões onde há muita comida.

“É uma contradição”, diz Lola Castro, diretora-geral do PMA. “Por isso, estamos a trabalhar na área da educação, água e saneamento e na área dos produtos alimentares complementares para melhorar a situação.”

Lola Castro sugere que se reforce a rede comercial nas zonas produtivas, no norte e centro de Moçambique.

Na zona sul do país, que não é uma área produtiva para o cultivo do milho ou feijões, por exemplo, a responsável diz que os camponeses devem praticar a agricultura nas bermas dos rios.

Na região, a produção é baixa e o PMA está a transportar alimentos para as famílias afetadas, em parceria com o governo.

O Programa Mundial de Alimentação está a distribuir alimentos pelas famílias necessitadas

O Programa Mundial de Alimentação está a distribuir alimentos pelas famílias necessitadas

Centro e sul: chuvas abaixo do normal

De acordo com a responsável, uma das razões para que haja muita fome em Moçambique são os efeitos combinados da seca, cheias e ciclones.

Por exemplo, “os ciclones do ano passado (Funso, Dando, entre outros) e as zonas de seca que não tiveram bastante chuva”, diz. No entanto, Lola Castro sublinha que, neste momento, as “pessoas que foram afetadas pelo ciclone já foram assistidas e já tiveram a sua colheita, principalmente na região da Zambézia. Nas zonas áridas e semiáridas já houve alguma chuva, por isso a situação melhorou.”

Neste momento, a previsão de queda de chuva para esta época agrícola mostra que na zona norte haverá chuvas em abundância. No entanto, o mesmo não acontecerá nas zonas centro e sul, onde se prevê chuvas abaixo do normal.

Autor: Romeu da Silva (Maputo)
Edição: Guilherme Correia da Silva / António Rocha

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