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Economia

Euro x dólar: G-20 diante do dilema cambial

O principal tema do encontro do G-20 em Berlim, neste fim de semana, é a baixa do dólar em relação ao euro e a controversa possibilidade de se interferir no quadro cambial. Assunto será abordado a portas fechadas.

Dólar por baixo prejudica exportações alemãs, mas barateia petróleo

Os países do G-20, "pesos pesados" da economia mundial, se reúnem no fim de semana na capital alemã. As nações industrializadas e emergentes que fazem parte do grupo representam cerca de 90% do PIB mundial, 80% do comércio internacional e dois terços da população do mundo.

Os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos 20 países não terão um minuto livre durante a conferência anual que começa na noite desta sexta-feira (19/11). Os temas incluem desde formas de combate à sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, passando pela alta do petróleo e as fontes de financiamento do terrorismo. No entanto, o assunto mais urgente não consta oficialmente da pauta: a queda meteórica do dólar.

"Trajetória brutal"

Ministro alemão das Finanças, Hans Eichel

Não há dúvidas de que esta será a questão central da conferência em Berlim. O ministro das Finanças alemão, Hans Eichel, anfitrião do encontro, qualificou as recentes altas recordes do euro em relação ao dólar como uma "trajetória brutal": "Haverá muito o que discutir sobre isso, a portas fechadas, como sempre no caso de questões monetárias. Espero que dê para encontrar uma posição comum entre o Japão, os EUA e a Europa".

A Alemanha e seus parceiros europeus têm grande interesse em evitar que a relação do euro com o dólar não fuja completamente de controle. Afinal, quanto mais fraco o dólar e quanto mais forte o euro, piores as chances de vender os produtos europeus no importante mercado norte-americano.

No momento, os EUA não parecem muito dispostos a discutir o futuro de sua moeda, no entanto. O secretário norte-americano do Tesouro, John Snow, reiterou que o governo em Washigton continua apostando numa política do dólar forte, excluindo qualquer possibilidade de intervenção por parte dos bancos centrais.

Perdas e ganhos com diferença cambial

Na verdade, a baixa do dólar não é tão indesejável para os EUA. Para as exportações norte-americanas, é uma vantagem, pois a diferença de câmbio barateia os produtos no exterior. Isso poderia servir de paliativo ao problema crônico do déficit da balança comercial do país.

Secretário norte-americano do Tesouro, John Snow

Snow, por sua vez, costuma inverter o raciocínio e responsabilizar as deficiências de crescimento da Europa pela baixa do dólar. Uma conjuntura forte no velho continente abriria maiores possibilidades de exportação para a economia norte-americana e reduziria seu déficit comercial. De qualquer forma, nenhum dos lados tem grande interesse em expor à opinião pública sua disputa sobre qual seria a cotação monetária certa.

Para a Alemanha, a baixa do dólar não deixa de ter suas vantagens. Eichel também conta com o fato de que o preço do petróleo, que é calculado em dólar, não pode ser repassado tão alto: "Se o dólar baratear em relação ao euro, isso significa que o petróleo deixa de ser tão caro para nós como no mercado mundial".

Baixa do dólar barateia petróleo

Na avaliação do vice-ministro das Finanças, Caio Koch-Weser, a conjuntura mundial terá que contar com mais fatores de risco no próximo ano, em função do preço do petróleo e do quadro cambial. Ele prevê que o preço do petróleo ainda vai continuar por um bom tempo em alta, sobretudo porque os países produtores já estão chegando ao limite de sua capacidade de extração.

Neste contexto, analisa Koch-Weser, riscos geopolíticos compatíveis com a situação no Iraque e no Oriente Médio poderiam exercer um outro peso sobre os mercados. Além disso, investidores como o Hedge Fonds especulam agressivamente com o petróleo. É por isso que os países industrializados vêm insistindo na urgência de combater a especulação nos mercados de petróleo através de maior transparência.

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