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Europa

Iniciativa para defender afro-alemães da discriminação

A agressão do teuto-etíope Ermyas M. por motivos racistas, em meados de abril, reavivou recentemente a discussão sobre a discriminação dos negros na Alemanha. Assim o movimento anti-racista, ativo no país há décadas, ganhou novo impulso.

Ataque a Ermyas M. causou indignação

A Initiative Schwarze Menschen in Deutschland (ISD – Iniciativa Pessoas Negras na Alemanha) é parte desse movimento. Como explica um de seus diretores, Edouard Mbemba, ela existe desde 1978, criada por africanos que vieram estudar no país e acabaram ficando e formando família.

Como tantas outras associações anti-racistas, a ISD nasceu em reuniões e seminários, onde os participantes tentavam se ajudar mutuamente. Muitas vezes, saber que não se está sozinho ajuda mais do que os melhores conselhos, comenta Mbemba. Só que geralmente a autoconfiança alcançada não dura muito, diante da discriminação quotidiana que sofrem os afro-alemães.

Parada de ônibus Charlottenhof: o local da agressão, em Potsdam

Um exemplo é a dificuldade de encontrar moradia. Ou quando uma criança negra é automaticamente classificada para a hauptschule (escola secundária mais básica, encaminhado à formação profissionalizante), não por suas notas, mas pela cor da pele. E os pais costumam acatar a decisão dos professores sem discutir.

Mbemba lembra que o quase homicídio de Ermyas M. não é um incidente isolado: "Sabemos de vários casos, no Leste, em que africanos sofreram perseguições nas ruas". Dessa forma, é na realidade o ocorrido em Potsdam um efeito colateral positivo: trazer a questão à consciência pública. Auxiliado, é claro, pelo medo da Alemanha de perder a boa imagem, em ano de Copa do Mundo.