O que tem Whoopi Goldberg a ver com 'Noite feliz'? Normalmente, bem pouco. Mas a música negra norte-americana veio preencher um vácuo emocional na relação dos alemães com a religião. E está se tornando uma tradição.
Em Nova York como em Berlim
Desde novembro, eles começam a ocupar muros e postes. Em dezembro, já se proliferaram como cogumelos no bosque. E nos dias antecedendo o Natal, não há como ignorá-los: centenas cartazes anunciando inúmeros eventos de gospel, quer se trate de corais, shows ou concertos em igrejas, povoam as ruas da Alemanha.
Pode parecer estranho o fato de a música das igrejas negras norte-americanas encontrar interesse tão caloroso na Alemanha, país europeu onde menos se freqüenta a missa, e sem uma tradição própria de spirituals.
Porém os números são inequívocos: o site berlin-gospel-web.de registra 50 coros de gospel, apenas na área de Berlim; gospelszene.de anuncia 500 coros no país. Isso, embora Arjan Leuschner – aficionado do gênero e um dos responsáveis pelo site – calcule que os números reais são cinco vezes superiores.
Obrigado, Whoopi Goldberg...
Como foi que a nação de Bach, Beethoven e Wagner cedeu ao encanto de Queen Esther Marrow, Mahalia Jackson e dos Harlem Gospel Singers? Segundo musicólogos, a tendência se encaixa numa onda de interesse pela música negra em geral, após a Segunda Guerra Mundial. Com um empurrãozinho mais recente, de filmes como Os irmãos cara de pau (The Blues Brothers, 1980) e Mudança de hábito (Sister act, 1992).
Desde a década passada, cantores e regentes corais – grande parte dos quais, norte-americanos trabalhando no país – têm que se desdobrar para corresponder ao apetite insaciável por oficinas e concertos dedicados à black spiritual music.
Identificação por contraste
Virginia State University Gospel Choir