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Alemanha

Opinião: Jogo partidário manchou a imagem da Presidência alemã

O candidato do governo, Christian Wulff, foi eleito presidente da Alemanha. Mas ele assumirá um cargo danificado pelo jogo de poder dos partidos durante a eleição, opina o editor-chefe da DW, Marc Koch.

Se o povo pudesse escolher, a Alemanha teria agora outro presidente: três em cada quatro alemães prefeririam ver o candidato oposicionista Joachim Gauck como chefe de Estado. O fato de ele não ter vencido a eleição só vai fortalecer a insatisfação dos alemães e o seu desinteresse pela política.

Na Alemanha, a eleição de um presidente nunca ocorreu livre de qualquer pressão político-partidária. Mas desta vez os partidos exageraram: eles transformaram a decisão sobre o novo chefe de Estado num vergonhoso jogo sujo.

Editor-chefe Marc Koch

Por pura estratégia de poder, a chanceler federal Angela Merkel e sua coalizão de governo indicaram um candidato que atende exclusivamente a seus próprios interesses políticos e partidários. Até por isso muitos alemães não queriam Christian Wulff como chefe de Estado. Mas, para a coalizão, isso pouco importa.

Mas também os dois grandes partidos da oposição, o SPD [Partido Social Democrata] e o Partido Verde, não fizeram melhor: colocar na disputa Joachim Gauck, um ativista dos direitos humanos sem filiação partidária, pode até ter sido uma manobra genial. Criou-se, assim, a impressão de que a oposição estava interessada em eleger a melhor personalidade para o mais alto posto do Estado. Mas, na verdade, a indicação de Gauck não foi nada mais do que uma tentativa de criar um racha na coalizão de governo.

Ao final, o candidato dos partidos de maior força acabou se impondo. Permanece incerto como Christian Wulff vai representar a Alemanha no exterior e que prioridades terá na política interna. Na Alemanha, no fim das contas, o presidente só tem mesmo um papel fraco e de representação – conforme reza a Lei Fundamental.

Ele deve estar acima dos partidos e representar todos os cidadãos. Decisões políticas ele praticamente não toma. Tanto mais importante é que ele utilize seu posto para desenvolver ideias e assuntos que vão além da agenda política diária. Os cidadãos esperam orientação e perspectivas de futuro de seu presidente.

Muitos dos antecessores de Christian Wulff tinham estes temas: no caso de Horst Köhler era a África; para Roman Herzog, a educação; para Richard von Weizsäcker, a maneira de lidar com o passado recente da Alemanha.

Com isso, esses presidentes souberam apontar caminhos e souberam representar dignamente a nação – Horst Köhler contribuiu decisivamente para a boa imagem da Alemanha na África. A propósito, o candidato derrotado, Gauck, também tinha um tema próprio: a liberdade.

Em Christian Wulff, até o momento, não é possível reconhecer nenhum grande tema. Ele é, antes de tudo, político de um partido. O seu posto – o mais alto do Estado alemão – foi transformado em butim da estratégia de poder político-partidária e, com isso, sofreu sérios danos.

Deixar que o povo escolha o presidente não é de fato uma alternativa: como um presidente poderá unir a nação depois de uma campanha eleitoral desgastante? Muito mais sentido faria levantar a seguinte questão: a Alemanha ainda precisa deste posto?

Autor: Marc Koch

Revisão: Roselaine Wandscheer

DW.DE

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