O país ainda não conseguiu solucionar problemas no setor de transporte e o principal estádio ainda não foi entregue. Já a venda de ingressos para o público africano vai bem.
Estádio em Durban, construído para a Copa
Em quatro semanas, o maior evento esportivo do planeta vai dominar as manchetes. Até lá, a África do Sul garante que estará com tudo pronto para receber as seleções mundiais e os visitantes. De fato, o país inaugura novas instalações num ritmo frenético. E o presidente Zuma ressalta: "Você pode ver quando nós dizemos que estamos prontos. Não é apenas retórica."
De fato, o novo terminal do aeroporto de Joanesburgo foi aberto ao público no último sábado (08/05) e a agenda de inaugurações está cheia. No entanto, há ainda preocupações de última hora que não foram resolvidas desde que o país ganhou o direito de sediar o evento, tais como os gargalos no sistema de transporte.
A um mês dos jogos, o país também lida com uma greve nacional, que mobiliza cerca de 20 mil trabalhadores dos setores ferroviário e portuário. A paralisação prolongada interrompe o tráfego marítimo, compromete a exportação de carvão e minério de ferro, bem como a distribuição de combustível.
Vai e volta dos estádios
A África do Sul investiu 1,9 bilhão de euros em infraestrutura, a fim de ampliar aeroportos, reformar rodovias e aprimorar as redes de transporte público. Ainda assim, os esperados 373 mil visitantes poderão ter problemas para se locomover de um ponto a outro, preveem especialistas do setor.
Uma boa notícia é que, depois do aumento de até 215% no preço das passagens aéreas entre as cidades-sede nas datas dos jogos, os valores caíram devido a uma investigação das autoridades anticartel.
Mas o transporte por terra continua sendo um problema. Ainda não se sabe como os turistas irão chegar e sair das cidades pequenas que abrigarão jogos, como Nelspruit, Polokwane e Bloemfontein.
Vista aérea da Cidade do Cabo
A jornalista brasileira Sabine Righetti passou um mês na África do Sul e conheceu Durban, Pretória, Joanesburgo e Cidade do Cabo, grandes centros urbanos. "Com exceção de Joanesburgo, que é a maior cidade do país e tem transporte público e uma quantidade considerável de táxis, as outras três têm o transporte bastante precário", conta. A avaliação é de quem está acostumada ao sistema brasileiro de transporte público.
"Na Cidade do Cabo, o transporte é basicamente feito por minivans que são ruins, fazem cada dia um trajeto diferente e não têm horários fixos. Em geral, espera-se bastante tempo nos pontos. Tem dias em que todas as minivans do centro estão indo para praia e, se você quiser ir para universidade, está lascado", conta Sabine.
Segundo a jornalista, Pretória, a capital administrativa do país, tem o pior transporte das cidades pelas quais passou. "Tive enormes dificuldades para ir do estádio Loftus Versfeld aos pontos turísticos. Era dificílimo encontrar táxis – que andavam sem identificação – e não vi ônibus circulando."
Joanesburgo, Cidade do Cabo e Durban devem receber a tempo para a Copa a rede BRT (Bus Rapid Transit), com ônibus rápidos de linha percorrendo pontos estratégicos. O país também planejou um serviço que fará o transporte dos visitantes dos estacionamentos para os estádios, semelhante ao usado na Copa das Confederações e que apresentou problemas na época. Desta vez, os organizadores prometem uma ação mais coordenada.
Está prevista para oito de junho – apenas três dias antes do início dos jogos – a entrada em funcionamento do trem rápido Gautrain, o primeiro do tipo no país. O trecho inicial vai conectar o aeroporto internacional de Joanesburgo ao subúrbio chique de Sandton, onde os hotéis estão concentrados.
Corrida para concluir detalhes do Soccer City
Os africanos comparecem
Se uma previsão feita há dois anos apontava a visita de 483 mil turistas, esse número não deverá passar de 373 mil. E, como a venda de entradas ao público estrangeiro não correspondeu às expectativas, os ingressos passaram a ser oferecidos nos estádios africanos desde o mês passado.
A resposta foi imediata: na primeira semana, 180 mil lugares foram vendidos, segundo dados da Fifa. Até então, na África do Sul, os ingressos estavam disponíveis apenas pela internet e em agências bancárias.
Os preços também são um atrativo: por 140 randas, o equivalente a 14 euros, pode-se garantir uma entrada. O valor oferecido aos africanos é bem mais baixo do que o estabelecido para quem compra um ingresso fora do país.
Mas o estádio principal, Soccer City, onde acontecerão o jogo de abertura e a final, ainda não foi entregue à Fifa. Para completar a obra, falta concluir as obras do estacionamento e de paisagismo.
Mesmo assim, Danny Jordaan, da comissão organizadora, afasta qualquer pessimismo: "Tudo está completo. Nossos estádios estão, simplesmente, entre os melhores. Esta Copa do Mundo abraçou este país".
Autora: Nádia Pontes
Revisão: Rodrigo Rimon