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Estudar na Alemanha

O "Processo de Bolonha" sob o ponto de vista brasileiro

Os cursos de Medicina e de Direito não terão sua oferta modificada pelo Processo de Bolonha

Também parte do corpo docente alemão vê o novo sistema com desconfiança. Christian Bode, secretário-geral do DAAD na Alemanha, afirmava em 2006 que, apesar de muitas instituições alemãs de ensino superior estarem satisfeitas com o Processo de Bolonha, ainda havia no país "muitos professores absolutamente contrários" a ele.

Bode, ele próprio um "protagonista pró-ativo do Processo de Bolonha", dizia ainda que, para muitos catedráticos alemães, o receio de abandonar boas tradições, "substituindo-as por tradições anglo-americanas", poderia vir a "deteriorar o que ainda resta de positivo na educação superior da Alemanha". O medo, àquela altura, ainda era grande. E parece não ter de todo desaparecido. Talvez seja por isso que cursos mais tradicionais, como os de Medicina e Direito, ainda não façam parte do Processo de Bolonha.

Reconhecimento de créditos

Naomar Filho, reitor da UFBA: dificuldades devido à diferenças curriculares

Também a questão de revalidação de créditos preocupa estudantes e autoridades. Se na Europa a revalidação de créditos parece não ser mais entrave – através do Diploma Supplement (DS) – para o estudante não europeu, como o brasileiro, a situação é diferente.

Para Naomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia, a questão referente ao reconhecimento de créditos adquiridos no exterior é ainda complicada: "Isso será um problema, devido à não correspondência de arquiteturas curriculares". O prognóstico do reitor é pessimista: "um título de master, por exemplo, obtido numa universidade européia, dificilmente será reconhecido como equivalente ao mestrado no Brasil".

Ronaldo Mota, secretário de educação do MEC: reconhecimento de créditos será facilitado

O secretário de Educação do MEC, Ronaldo Mota, também vê o novo sistema com ressalvas. O secretário informa a existência de discussões em volta da criação de um Sistema Brasileiro de Transferência de Créditos, o qual tende a estimular e facilitar o trânsito de estudantes entre todas as instituições, brasileiras e estrangeiras. A discussão encontra-se, porém, ainda no início.

O secretário ressalta a necessidade de se fazer uma diferença entre reconhecer créditos e revalidar diplomas: "O primeiro tende sim a ser muito facilitado, ao adotarmos novos hábitos e criarmos uma cultura que valorize a mobilidade acadêmica".

Com relação à revalidação de diplomas, porém, ele é mais cuidadoso: "a menos que se altere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, essa decisão [a revalidação de diplomas] continuará a ser prerrogativa das instituições apropriadas".

dw.de