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Cultura

"Escola de Berlim" e "Geração Migrantes" dão rosto ao atual cinema alemão

Estes "filmes de migração" retratam com freqüência as dificuldades e os mal-entendidos em que imigrantes se envolvem, as desventuras no contato com departamentos públicos e autoridades, o próprio cruzamento de fronteiras e a vida nos guetos de estrangeiros das grande cidades.

Mantendo uma espécie de "olhar estrangeiro" voltado para os dois lados, eles escancaram as feridas do migrante que insiste em suas próprias tradições, mesmo longe de sua terra natal, e a falta de abertura daquele que recebe, ancorado em seus próprios preceitos e cerrado em relação ao Outro.

Nouvelle Vague alemã?

Foram críticos de cinema franceses que deram início, a partir de 2003, ao debate em torno de um grupo de cineastas rotulado, a princípio, de Nouvelle Vague alemã. O conceito foi transformado pela mídia alemã em Berliner Schule (Escola de Berlim), embora uma "escola" o grupo de cineastas mencionados jamais tenha formado.

Eles tampouco vêm de uma mesma instituição entre as muitas que ensinam cinema no país. O que os une neste contexto é o fato de que todos freqüentaram alguma escola de cinema, não importando qual. E não são "aprendizes da prática". Distantes do improviso, possuem um olhar educado, estetizado pelo cânon cinematográfico. E não necessariamente se inspiram na tradição do cinema alemão, mas na obra de diretores como Michelangelo Antonioni, Robert Bresson ou Luc Dardenne.

Afinidades estéticas

Alguns dos nomes que compõem a Escola de Berlim nem ao menos conhecem seus "colegas" pessoalmente: enquanto Christian Petzold e Angela Schanelec estudaram na Academia de Cinema e TV de Berlim (DFFB), Benjamin Heisenberg e Christoph Hochhäusler passaram por Munique. Já Valeska Grisebach estudou em Viena.

O que une esses cineastas de origens distintas é certa afinidade dramatúrgica e estética: a aversão à construção tradicional de personagens, o olhar voltado para uma realidade áspera, cenários frios e a coragem de optar pelo silêncio, a fim de deixar claro o estado de abandono e solidão dos protagonistas, em sua maioria situados no espaço anônimo da grande cidade.

Destinos incertos

O olhar da Escola de Berlim mantém-se distanciado. Mesmo quando os filmes giram em torno de personagens à margem da sociedade, o fotógrafo (e por conseqüência o espectador) não se envolve diretamente, permanecendo na condição de observador.

Em tom sóbrio, estes cineastas tendem a não encontrar soluções para os conflitos que imprimem a seus personagens. Como no caso de Fantasmas ou Yella, de Christian Petzold, e Adormecido, de Benjamin Heisenberg, não há mais finais felizes, nem sombrios, mas simplesmente abertos. Incertos, como os destinos reais.

dw.de