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Cultura

"documenta" 12: sucesso no fracasso?

Referências são as outras

Com a apresentação de um catálogo que não abriu qualquer espaço para a reflexão, a opção por um excesso de fotografias dos quatro cantos do mundo entre as obras expostas (sem que se compreenda o porquê da predileção por tal mídia) e a ambição de levar o visitante a redescobrir a história da arte, a mostra em Kassel talvez só prime pelo último esforço. "O fato de que os teóricos da documenta 12 conseguiram a façanha de, com poucas palavras, não dizerem absolutamente nada, parece não ter incomodado ninguém", dispara o Süddeutsche Zeitung.

A história da mostra ensina, há de se lembrar, que foram poucas as documentas que acabaram escrevendo história, como a lendária mostra de 1972, sob a curadoria de Harald Szeemann, e a consistente documenta 10, de Catherine David, que deixou como catálogo uma obra teórica de referência da segunda metade do século 20.

Concurso de arrotos

Buergel: na mira da mídia

Em texto publicado pelo semanário Der Spiegel, o próprio Buergel tomou a palavra para se defender dos "especialistas", que supostamente atacaram a documenta por terem simplesmente "tomado a decisão de odiá-la". Num ato quase desesperado de autodefesa, o diretor artístico ainda chamou, em entrevista ao Hannoversche Allgemeine Zeitung, os ataques da crítica de "concurso de arrotos".

No entanto, há de se perguntar por que haveria na mídia alemã e estrangeira tantos críticos "movidos por reflexos como coelhos", como sugere Buergel. Segundo ele, o fato de a documenta ter arriscado formalmente a ser o que não se esperava dela pode ter "soterrado a hegemonia do contexto local", pondo em xeque a relevância de uma ordem que nem todos querem questionar. Neste sentido, ela teria sido um sucesso em fracassar.

"Estou certo de que somente ficam [na memória] as coisas que causam uma indignação profunda, que vão até o âmago. Esta é a minha religião de vanguarda", proclama Buergel ao jornal de Hannover.

Cantos estranhos

O fato, por exemplo, de a obra de Gerhard Richter ter ficado "quase escondida" – desprezo pelo cânon? – talvez irrite realmente o visitante habituado a encontrar sempre o que procura e não a procurar o que não conhece. Em seu desabafo irado no Der Spiegel, Buergel cita, neste contexto, a crítica do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung ao excesso de nomes "que não dizem nada", numa referência a artistas cujas origens são "cantos estranhos" do planeta.

Estes cantos estranhos do mundo, lembra o diretor artístico, são o Brasil, o México, a África do Sul, a Índia e a China. Países que exercem um papel cada vez mais importante na economia mundial, alerta. Nisso, ele com certeza tem razão. O problema é que a documenta 12 não tropeçou necessariamente no quem, mas, acima de tudo, no como e no porquê.

dw.de

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