Credibilidade perdida
Engana-se quem afirma que política seja um negócio como qualquer outro: os políticos têm tanto uma responsabilidade quanto um dever especial para com a integridade e a autonomia. Os cidadãos têm direito a seu "deputado transparente", do qual podem saber quanto ganha e de onde vem seu dinheiro. Todo político sabe que não pode exigir absoluta idoneidade fiscal dos cidadãos, porém ele mesmo – geralmente bem assessorado – aproveita cada lacuna que se oferece, ou que ele próprio criou.
A credibilidade também sofre quando escândalos são revelados mas não se vêem as conseqüências, ou quando "espertalhão" passa a ser a marca registrada dos políticos. Roland Koch – o "investigador implacável" com envolvimento muito duvidoso no escândalo das doações da CDU – continua sendo governador do estado de Hessen. Franz-Josef Jung, seu então chefe de chancelaria estadual e secretário-geral democrata-cristão, é hoje ministro da Defesa. Isso não apenas frustra: é escandaloso.
Peritos ao leme?
Mas, então, quem é que vai dar um jeito? Quando se fala da "falência dos partidos", ouve-se muitas vezes a exigência de que especialistas substituam os políticos afiliados. Afinal de contas, consta que eles sejam objetivos e deveriam saber o que é realmente necessário. Partidos, em contrapartida, são subjetivos. Entretanto, quanta objetividade pode suportar a democracia?
Partidos produzem opiniões, avaliações diversas, interpretações e conclusões sobre os fatos e processos correntes. Não fornecem "verdades", muito embora gostem de agir como se este fosse o caso. O pluralismo democrático se baseia numa diversidade de opiniões e avaliações mais ou menos subjetivas, a partir da qual os cidadãos podem fazer sua escolha. Pode-se discutir, é claro, até que ponto os partidos cumprem esta função atualmente.
Se apenas peritos fizerem política, súbito o "objetivamente certo" se torna o centro da política, e o conhecimento a respeito será privilégio de uma pequena elite de iniciados. A democracia se transformaria numa "espertocracia", ainda menos transparente para os cidadãos e muito menos influenciável por eles.
Sistema dinâmico
Portanto: democracia sem partidos é impensável para mim. Contudo, a democracia também ultrapassa o conceito de partido. Ter a democracia para si só pode ser o sonho secreto de certos estrategistas de partido, mas tal não ocorrerá. Até porque o nosso sistema partidário não é estático – as mudanças sociais também se refletem na paisagem das agremiações. Isto se aplica ao atual enfraquecimento dos partidos populares e ao acréscimo dos parlamentos formados por cinco partidos.
Do meu ponto de vista, hoje em dia a questão é, sobretudo, fortalecer a consciência quanto às liberdades e valorrres democráticos, tanto dentro dos partidos como da sociedade. Se conseguirmos isto, e as agremiações se mostrarem mais abertas para novas idéias e adeptos, quem sabe um ou outro democrata cansado desperte novamente e a base dos partidos também seja reforçada.
Omid Nouripour, 32, nasceu em Teerã e é deputado do Bundestag pela Aliança 90 / Os Verdes.