A promessa de um futuro brilhante no futebol pode ter seu lado obscuro: o abandono de menores de idade africanos e latino-americanos que não são selecionados para permanecer nos clubes europeus.
Sonho que pode virar pesadelo
Promessas e decepções
Diego, do Werder Bremen, estrela internacional de 22 anos
O que há de ruim, diriam alguns, em oferecer aos jovens oportunidades que seriam impossíveis de conseguir em países da África ou América Latina? Por que barrar o desenvolvimento dos que poderiam ser futuras estrelas do futebol internacional?
Os questionamentos em princípio parecem razoáveis, e mais ainda quando em muitos casos se conta com a entusiástica participação dos pais dos menores. Mas, no fundo, tais considerações se referem somente a ocasiões em que o jogador alcança êxito.
O que acontece quando, como na maioria dos casos, não se concretiza a promessa de uma brilhante carreira futebolística? Os deputados do Parlamento Europeu refletem a respeito: "os jovens acabam sendo abandonados em países distantes, tanto por clubes como por agentes".
Além disso, "existe o risco de incorrer em práticas ilegais quando o jogador não possui documentos que confirmem sua situação profissional ou quando é submetido a condições injustas de trabalho, assim como acontece na indústria 'clandestina'".
"Arruinaram minha vida"
Isso sem mencionar o drama individual que um fracasso desses desencadeia. Recentemente, a revista esportiva alemã Kicker citou vários casos, entre eles o do argentino Luis Rodríguez. Depois de passar sem sucesso por vários clubes europeus, ele considera agora que seus antigos promotores "arruinaram" sua vida.
Infelizmente, a legislação européia não está suficientemente preparada para fazer frente a esse tipo de atividades, difíceis de detectar, evidenciar e tipificar.
"Prática inaceitável"
Categorias inferiores, maneira legítima de promover talentos
As mesmas instituições européias, em seu Livro Branco sobre o esporte na Europa, afirmam que do ponto de vista jurídico em muitos casos este fenômeno não é equiparável ao tráfico de pessoas.
Porém, isto não significa que deva ser visto como algo normal, ou desejável. De fato, a Comissão Européia sentencia que a prática de "importar" jogadores novos da África ou América Latina "é inaceitável de acordo com os valores fundamentais reconhecidos pela União Européia e seus membros. Também é totalmente contrária aos valores do esporte".