A Europa e o cristianismo
No ano 313 d.C., o imperador romano Constantino, o Grande, pôs fim à perseguição dos cristãos. Após o declínio do Império Romano Ocidental, os romanos continuaram regendo o Império Bizantino por mais mil anos. Em meados do século 1º, o imperador Justiniano 1º declarou o cristianismo religião oficial do Império Romano do Oriente. No século 4º, a crença cristã chegaria até os germanos: não havia mais como deter a cristianização da Europa.
A Europa foi marcada pelo cristianismo – esse é um fato que os cristãos gostariam de ver refletido no Tratado Constitucional da UE. Mas mesmo que a herança cristã européia não seja indiretamente mencionada, "é preciso ver que este tratado descreve claramente valores que podem ser considerados cristãos", constata Pöttering. Ou seja, os cristãos não deveriam se resignar.
Gregos, romanos, muçulmanos, o Iluminismo, o movimento trabalhista, a filosofia e muitas outras coisas também poderiam ter sido mencionadas no preâmbulo. Mas não será o caso.
O perigo está mais embaixo
"A UE respeita e não interfere no status que as legislações dos países-membros atribuem às Igrejas e às organizações ou comunidades religiosas." Isso é o que consta do artigo I-52 do novo Tratado Constitucional da União Européia, referente ao "status das Igrejas e comunidades ideológicas".
O debate sobre o preâmbulo do tratado é apenas uma discussão de aparência, na opinião dos membros da IBKA, uma federação internacional de ateus e pessoas sem confissão religiosa. "O preâmbulo é poesia e não tem nenhum significado jurídico. Decisivo mesmo é o artigo sobre as Igrejas, a ser incluído no novo tratado. Mas disso infelizmente não se fala nada", lamenta o presidente da IBKA, Rudolf Ladwig.
No esboço constitucional, o artigo 46 regulamenta como as organizações não-governamentais podem participar da União Européia. "Esse artigo não se aplica à Igreja Católica, pois ela não preenche os critérios. Ela é uma organização profundamente hierárquica e não democrática, além de não reconhecer a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Numa espécie de negociação secreta, acabou se chegando a um consenso sobre o artigo relativo às Igrejas. Ele surgiu de repente, sem muita discussão, e garantiu o atual status das Igrejas em nível nacional e europeu."