Em entrevista à DW-WORLD.DE, artista brasileiro Ricardo Basbaum fala do projeto que desenvolve junto à "documenta" de Kassel e discorre sobre a importância de um espaço para o "pensamento coletivo" durante a mostra.
NBP de Basbaum em Kassel, 2006
Na trajetória do projeto Você gostaria de participar de uma experiência artística?, parece claro seu desejo de dar voz ao discurso sobre a obra, de abrir espaço para a "constituição de um pensamento coletivo". Esta postura permanecerá atual durante a documenta? Haverá alguma reflexão contínua sobre a obra durante a mostra?
Sim, existe o interesse concreto por um "pensamento coletivo", na medida em que o espaço de funcionamento e reverberação da obra de arte é sempre resultado da mobilização de muitos – não existe a decisão de "ser" ou "atuar" como artista enquanto a simples decisão de um sujeito individual, isolado.
Um dos aspectos mais fascinantes do campo da arte é a contínua mobilização de redes de apoio ou repulsa de certas ações ou tendências, dinâmica esta que caracteriza a dimensão política do chamado circuito de arte em suas diversas facções ou segmentos (fator em geral obscurecido ou recalcado pela discussão de uma arte pretensamente "universal", absolutamente verdadeira, bela ou exemplar, independente de sua inserção contextual).
No caso de meu projeto específico de trabalho apresentado na documenta 12, acredito que uma de suas características é a de constituir um corpo coletivo de ação e pensamento, a partir das experiências realizadas pelos participantes e postadas no website.
NBP: participação de Márcia Prezzoti, Vitória, 1995