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Cultura e Estilo

DJ Hans Nieswandt: uma volta ao mundo em 80 beats

Convidado para representar a música eletrônica alemã em diversos países, o autor de sucessos como 'From Disco to Disco' relatou suas viagens no livro 'Disko Ramallah'. DW-WORLD conversou com o autor sobre seu trabalho.

Cartaz do concerto de Hans Nieswandt no Cairo: divulgando a música eletrônica alemã

DW-WORLD: Você foi convidado por Institutos Goethe de diversos países para representar a música eletrônica alemã. No seu livro "Disko Ramallah", você conta esta experiência. Sua viagem começa e termina no Rio de Janeiro, por que o seu livro se chama "Disko Ramallah"?

O livro de Hans Nieswandt não se chama somente 'Disko Ramallah'...

Hans Nieswandt: O livro não se chama somente Disko Ramallah, mas Disko Ramallah e outros lugares curiosos para se fazer som. O capítulo do Oriente Médio é o mais extenso, nele também se devem incluir as viagens a Beirute, onde estive duas vezes. Disko Ramallah é um nome que inventei, em homenagem à cidade da Cisjordânia onde fui convidado para dar workshops. O nome me veio à cabeça por unir dois conceitos que não combinam: discoteca e Ramalá, onde não se pode e não se deve festejar quando se quer.

...mas 'Disko Ramallah e outros locais curiosos para se fazer som'

É preciso entender que a cultura ocidental de DJs e clubes é associada na Palestina a Israel. Tel Aviv é uma cidade famosa pelas suas festas.

Há uma Parada do Amor, um Dia do Orgulho Gay, travestis e meninas de biquíni. Além disso, a Cisjordânia vive sempre em crise, pessoas morrem constantemente. Organizar festas seria uma falta de piedade. Por esta razão, não se pode festejar sempre.

Rio, Kiev, Ancara, Viena, São Petersburgo, Odessa, Vilnius, Cairo, Ramalá. Por que o Instituto Goethe escolheu você para representar a música eletrônica alemã?

Eu era jornalista de uma revista especializada chamada Spex e já era bastante conhecido na cena eletrônica. Em 1994, alguém do Goethe me pediu para viajar para diversas cidades do Brasil e explicar aos diretores locais do Instituto Goethe que artistas alemães existiam e poderiam ser eventualmente convidados para dar workshops. Foi no Brasil que tudo começou.

No Rio de Janeiro, você foi convidado para fazer uma instalação no Centro Cultural Banco do Brasil, participou de uma peça de Bia Lessa e tocou em um clube em Ipanema. Não lhe incomodam as diferenças sociais no Brasil?

No Brasil ou na Palestina, eu sou um homem político. Em um primeiro livro, Mais Menos 8 (em alusão ao regulador do mixer), eu observei de forma mais atenta as diferenças sociais no Brasil. O Instituto Goethe ainda não me convidou para fazer som em uma favela. Acredito que seria difícil para o instituto garantir a segurança de um DJ convidado.

Tenho vários amigos no Rio e em São Paulo. Eles vivem bem, o que não é o caso dos meus amigos na Cisjordânia. Lá, o Exército está presente o tempo todo, eles têm que voltar para casa no máximo às 22 horas, quando fecham os checkpoints. Para alguém que vem de um país seguro como a Alemanha, a situação na Cisjordânia é como um filme, um filme de agente secreto. Algo em que estou trabalhando agora: a figura do DJ como agente duplo.

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