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Brasil

Para CNBB, confiança em Lula está abalada

O Bolsa Família ou Mensalão ainda têm futuro, depois dos escândalos de corrupção?

Olha, a corrupção é muito atraente. É preciso uma constante vigilância, porque por qualquer coisa se paga uma propina, se estimula alguém a não cumprir o seu dever, se compra a dispensa de um imposto, de um pagamento obrigatório. Não é o governo que está dispensando, é o intermediário que está fazendo o que não lhe é devido.

A corrupção no meio político é muito grande. As grandes acusações deste ano atingiram todos os partidos, especialmente o PT do presidente Lula. A grande expectativa e confiança que o povo tinha no governo Lula está abalada. Ele pessoalmente ainda tem uma grande aceitação, mas a eleição só será em outubro do ano que vem. Se vai por este caminho, será difícil também para ele a reeleição.

A CNBB apóia a reeleição de Lula e vai indicá-lo como candidato preferido aos seus fiéis?

Nós não indicamos ninguém. Se no tempo da ditadura no Brasil a CNBB foi muito independente e era a única que falava num período em que não se podia falar, agora, nos governos democráticos ou que estão a caminho da democracia, estamos dispostos a dar todo nosso apoio ao que é bom. Mas o que é contra a moral e a ética, evidentemente não podemos aceitar. Nós discutiremos nossas reivindicações com o presidente Lula e seus ministros, muitos dos quais têm bons contatos conosco.

O senhor chances de Lula ser reeleito?

Se a eleição fosse hoje, eu acredito que ele seria reeleito, mas para daqui a um ano eu não confirmo essa possibilidade.

O senhor acredita que Lula é completamente inocente, que ele realmente não sabia dos casos de corrupção em seu governo?

Eu acredito que ele pessoalmente não é uma pessoa corrupta. Agora, eu acho que ele, como presidente, deveria acompanhar muito de perto e estar sempre atento aos seus ministros, para que não huvesse corrupção no seu governo.

Os escândalos de corrupção e, além disso, a proposta de descriminalização do aborto, abalaram as relações aparentemente amistosas entre a Igreja Católica e o governo Lula ?

Isso tudo complica as relações com o atual governo. Há setores do governo que promovem um tratamento aético, como é o caso da proposta de despenalização do aborto desde a concepção até o último dia de gestação. Nós queremos que o governo Lula cumpra sua promessa de não despenalizar o aborto e que, em vez disso, promova um programa pela vida.

dw.de