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Revista de imprensa

África

Eleições no Senegal em destaque na imprensa alemã

Candidatura de Abdoulaye Wade à presidência, violência contra fazendeiros brancos na África do Sul e o regresso do fantasma da fome em África foram temas marcantes na imprensa alemã desta semana.

Quando não se fala durante anos de um país africano isso pode ser interpretado como um bom sinal. O Senegal, o único país da África ocidental que nunca conheceu um golpe de Estado, não atrai com frequência o interesse dos jornais alemães. Com a proximidade das eleições presidenciais, que se realizam a 26 de fevereiro, houve um súbito interesse pelo país vizinho da Guiné-Bissau.

“Wade sozinho em casa”, titulou o Neues Deutschland. “Prosseguem os protestos contra um possível terceiro mandato do presidente senegalês, Abdoulaye Wade”, escreve o jornal.

“Wade, o herói da transição pacífica no ano 2000, que pôs fim ao jugo socialista de 40 anos, é hoje alvo de protestos. Apesar dele próprio ter limitado a dois o número de mandatos presidenciais, apresenta-se pela terceira vez como candidato”, sublinha o Neues Deutschland. Apesar da Constituição senegalesa estabelecer um limite de dois mandatos,  Wade  defende-se dizendo que foi eleito pela primeira vez em 2000 e portanto antes da reforma constitucional de 2001 que determina esse limite.

Abdoulaye Wade tenciona candidatar-se de novo apesar dos seus 85 anos

Abdoulaye Wade tenciona candidatar-se de novo apesar dos seus 85 anos


O Supremo Tribunal senegalês decidiu que o atual Presidente do país, Abdoulaye Wade, poderá recandidatar-se a um terceiro mandato, recusando o recurso apresentado pela oposição que questionava a validação da candidatura por parte do Conselho Constitucional. Dos 17 candidatos iniciais, apenas 13 poderão disputar as Presidenciais contra Abdoulaye Wade.

Uma das quatro candidaturas rejeitadas pelo Conselho Constitucional é a do cantor senegalês Youssou N'Dour, mundialmente conhecido pela interpretação do tema “Seven Seconds”. O cantor também apresentou recurso desta decisão, mas o mesmo foi negado.

Para os candidatos presidenciais, que fundaram o movimento de oposição a Wade M23, consideram “que só haverá eleições justas se Wade retirar a sua candidatura”, salienta o Neues Deutschland.

O medo dos fazendeiros brancos África do Sul

“Semana após semana, fazendeiros brancos tem sido brutalmente atacados por negros. Uma colina cheia de cruzes evoca os fazendeiros mortos desde o final do Apartheid”, escreve o Die Zeit. Desde 1991, após o início das reformas democráticas que selaram o fim do apartheid,  foram assassinadas nas fazendas sul africanas três mil pessoas.

“Muitos fazendeiros não aguentam mais as ameaças permanentes e desistem. Há vinte anos atrás havia na África do Sul cerca de 62 mil fazendas, hoje são perto de 40 mil. Os fazendeiros falam de uma crise nacional, uma vez que a redução do sector agrícola ameaça 50 milhões de pessoas”, nota o Die Zeit.

A África do Sul, país com a agricultura mais produtiva do continente africano, importa desde 2009, pela primeira vez na sua história, alimentos.

O fantasma da fome regressa

Enquanto o Corno de África ainda enfrenta as consequências da fome anuncia-se a próxima catástrofe na zona do Sahel. “A morte pela fome é uma morte lenta, também bebés e crianças lutam durante meses, por vezes anos contra ela. Para muitas organizações internacionais de auxílio humanitário a fome, por muito cínico que pareça, é uma grandeza estatística. As Nações Unidas falam em fome quando mais de 2 em mil adultos morrem em consequência da falta de alimentos ou quando mais de quatro crianças em dez mil morrem em consequência da subalimentação”, escreve o Süddeustche Zeitung.

Muitas vezes quando a fome é declarada é demasiado tarde. Os sistemas de alarme já mostraram ser falíveis e a mobilização da comunidade internacional “apesar da CNN e da internet demora”.

Milhares de vidas poderiam ter sido salvas, se a comunidade internacional tivesse respondido mais depressa à catástrofe humanitária no Corno de África. Entre 50 mil e 100 mil pessoas morreram entre Abril e Agosto do ano passado e metade eram crianças com menos de cinco anos. A denúncia foi feita pelas organizações humanitárias Oxfam e Save the Children, num relatório sobre a catástrofe humanitária que no ano passado atingiu o Quénia, a Etiópia e a Somália.

Entretanto, escreve o Süddeutsche Zeitung, “Níger, Mali, Mauritânia, Burkina Fasso e Chade a partir do próximo mês de março sofrerão um período de carência com a duração de pelo menos seis meses”.

“Não devemos esperar até que as pessoas comecem a morrer de fome para atuar”, sublinhou Olivier De Schutter, relator especial da ONU sobre o direito à alimentação, citado pelo jornal. “O mundo necessita de reagir imediatamente para evitar uma crise alimentar e de nutrição em grande escala”.

Autor: Helena de Ferro de Gouveia
Edição: António Rocha

Um menino ugandês num campo de refugiados em Gulu, no Uganda

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