Einstein e o sol de Sobral
Da semana que esteve no Brasil, Einstein passou metade dela ouvindo discursos. Ao ser recepcionado no Jockey Club, antes de tomar a palavra, teve que escutar longas elogiações descomedidas. Foram três oratórias, a primeira em alemão, a segunda em iídiche (idioma falado na comunidade judaica) e, por último, em francês.Aloysio de Castro, diretor da Escola de Medicina, foi mais longe. Além das bajulações de praxe, quase reivindicou do físico a co-autoria na Teoria da Relatividade e um pedaço do Prêmio Nobel – o município de Sobral, no Ceará, fora uma das localidades escolhidas para receber a expedição científica que fotografou o eclipse de 1919.
Castro declamou empolgado a contribuição brasileira na confirmação da teoria elucidada pelo físico – Einstein, que também merecia o Nobel de diplomacia, apanhou um papel e escreveu em alemão: "A questão que minha mente formulou foi respondida pelo radiante céu do Brasil".
E Einstein vai ao hospício
O gênio pacifista e bem-humorado
Português, Einstein não entendia. Mas com certeza teve alguém que lhe traduziu o periódico O Jornal : "O dia de Einstein – Einstein comeu, hontem, vatapá com pimenta. O domingo foi consagrado a um passeio à Tijuca e hontem o grande mathematico foi visitar o Hospício". E não é que deixaram ele sair de lá?
Einstein embarcou rumo à Europa no dia 12 de maio de 1925. Provavelmente mais abstraído com o país que acabara de conhecer do que com as leis do universo. O físico escreveu a todos que o receberam um simpático e franco agradecimento. E, durante a travessia do Atlântico, formulou uma carta ao Comitê Nobel, recomendando o brasileiro Cândido Rondon para o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu trabalho junto aos indígenas.
Einstein pós-Brasil
Einstein morou até 1933 na Alemanha. Fugindo do nazismo, abandonou Berlim e migrou para os Estados Unidos, onde trabalhou no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton. Preocupado com o avanço nazista, Einstein colaborou para o desenvolvimento do programa nuclear americano durante a Segunda Guerra. Após as explosões de Hiroshima e Nagasaki, aderiu à luta pelo pacifismo e defendeu a fiscalização do uso da energia atômica.Brasil pós-Einstein
A visita de Einstein ao Rio atraiu um grande interesse público. Foi um estímulo a jovens cientistas, professores e a todos que buscavam expandir a pesquisa e estabelecer melhorias no sistema nacional de educação. A presença do físico trouxe à tona discussões científicas importantes, gerou polêmicas e debates acadêmicos que ganharam a imprensa e despertaram interesse na população. Einstein no Brasil ajudou a promover o desenvolvimento científico, acadêmico e tecnológico no país.O último enigma do gênio
Um cientista nada convencional
Einstein faleceu em 1955, em Princeton. Deixou à humanidade a solução de leis cosmológicas, mas morreu levando consigo um enigma até hoje não decifrado: "o que será que o gênio pensou ao posar de língua pra fora no legendário retrato?"
Talvez esta foto tenha sido fruto de seus sete dias de Brasil. Conturbação, arrojo e alegria. Ou ironia e bom humor de quem conseguiu decifrar o universo e, até mesmo, o Brasil.