Brasileiros mais autoconfiantes
É na política externa, segundo Kaestner, que o governo Lula conseguiu o maior reconhecimento até agora. “Ele ajudou a estabilizar a situação na Argentina e a resolver crises em outros países vizinhos, como Bolívia, Colômbia, Venezuela, Paraguai e Uruguai. A posição de Lula, a favor de uma solução no âmbito da ONU para o Iraque, aumentou a autoconfiança dos brasileiros diante dos Estados Unidos. O país comanda a missão de paz da ONU no Haiti e reclama com boas razões um assento permanente no Conselho de Segurança.”
Porva de fogo: Brasil comanda missão de paz da ONU no Haiti
Kaestner disse também que "ainda há regiões do mundo em que o governo brasileiro poderia ser mais ativo na busca de soluções para conflitos, por exemplo, no Oriente Médio. Afinal, o Brasil é um país onde árabes e judeus convivem pacificamente".
Quanto às negociações do acordo UE-Mercosul, que terão continuidade no dia 31 de janeiro, em Luxemburgo, Kaestner mostrou-se otimista. “O avanços já são maiores do que nas negociações do Brasil com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O Itamaraty acha que, se esperar, pode obter mais concessões, mas há resistências a vencer na UE. Os europeus precisam decidir até onde podem continuar subvencionando sua agricultura. A Alemanha é claramente a favor de um acordo com concessões duradouras por parte da UE”, disse.
Amizade de longa data
Lula com o então presidente alemão Johannes Rau, em 2003
As relações bilaterias nos dois primeiros anos de governo Lula tiveram uma boa estrela, disse Kaestner. Foram festejados os 180 anos da imigração alemã no Brasil, 175 anos do primeiro acordo teuto-brasileiro, 150 anos de cerveja alemã em solo brasileiro, 50 anos de Volkswagen e 40 anos de cooperação econômica.
Kaestner ressaltou também que Lula tem antigos aliados na Alemanha. Durante a ditadura militar, ele recebeu a visita do então chanceler alemão Helmut Schmidt e do governador da Renânia do Norte Westfália, Johannes Rau (mais tarde presidente alemão), e como líder sindical e partidário foi apoiado pela Fundação Friedrich Ebert. Por isso, Lula fez sua primeira viagem presidencial fora da América Latina à Alemanha, onde, como diz Kaestner, "abriu caminho para a futura cooperação no palco internacional".
No todo, o balanço feito por Kaestner dos dois primeiros anos de governo Lula foi positivo, salpicado até de elogios, mas ele advertiu: “Como no futebol, vem aí o segundo tempo e, com isso, a sentença final caberá ao eleitorado brasileiro em 2006. Daí será decidido se haverá um jogo de volta, um segundo período de governo”.