Uwe Kaestner, embaixador da Alemanha no Brasil de 2001 a 2004, diz que Lula pode entrar para a história como presidente voltado para o social e que aumentou autoconfiança do país no cenário internacional.
Kaestner atuou em Brasília de 2001 a 2004
O ex-embaixador alemão no Brasil, Uwe Kaestner, fez um balanço positivo dos dois primeiros anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, dos quais acompanhou 18 meses diretamente em Brasília. “Lula pode entrar para a história como um governante que priorizou o social, mas ainda tem muito a fazer, para que a falta de segurança pública não indigne a população e assuste os investidores“, disse à DW-WORLD.
Em palestra realizada em Bonn, o presidente recém-eleito da Sociedade Brasil-Alemanha (DBG) impressionou a platéia reunida pela DBG e o Ibero Club no Departamento de Imprensa do governo alemão, com uma análise detalhada do que chamou de “primeiro tempo de Lula”.
Segundo ele, Lula assumiu a presidência sob o impacto da luta internacional contra o terrorismo, desencadeada pelo 11 de setembro, e da crise argentina de 2002. “Nem mesmo o crédito de 30 bilhões de dólares concedido pelo FMI, graças ao empenho de seu diretor administrativo e hoje presidente da Alemanha, Horst Köhler, foi capaz de melhorar o humor dos mercados financeiros. Por isso, a prioridade absoluta do governo foi reconquistar a confiança nacional e internacional. Isso Lula conseguiu fazer, com a formação de uma equipe econômica confiável, a contenção de gastos públicos e a elevação drástica dos juros. Mas o preço pago foi alto: estagnação do consumo interno e insatisfação do eleitorado”, disse Kaestner.
Fome Zero e globalização
Lula em encontro com o chanceler federal alemão Gerhard Schröder
Ele falou também do programa Fome Zero (hoje chamado Bolsa Família), que virou marca do governo Lula no exterior e que, segundo dados oficiais, atende 5,5 milhões de lares. “Isso é pouco diante da enorme pobreza existente no país, mas já foi recompensado nas eleições municipais de 2004. O PT ganhou nas regiões de baixa renda, porém a paciência do grande número de pobres, eleitores cativos de Lula, não é ilimitada. Ele tem um longo caminho pela frente no segundo tempo“, disse.
Segundo Kaestner, “o grande mérito do programa Fome Zero foi desencadear, através do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, uma discussão internacional sobre a desigualdade na globalização da economia. Desde 2003, os Fóruns Econômicos Mundiais são obrigados a discutir a liberação de mais recursos para os países em desenvolvimento. Lula ocupou internacionalmente um nicho, ao focalizar os perdedores da globalização”.
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