Vítimas do nazismo e seus algozes
A partir de 23/11/1939, os judeus foram obrigados a usar a estrela de David com a inscrição 'judeu' na Polônia ocupada pelos nazistas. Posteriormente, também na Alemanha.
Não há dados sobre o número de pessoas que fugiram do regime nazista para o Brasil nas décadas de 30 e 40. Ainda antes da Segunda Guerra começaram a chegar judeus alemães, entre eles vários intelectuais e profissionais liberais. Em 1936, judeus alemães fundavam a Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência (Sibra), no Rio Grande do Sul.
Por outro lado, o governo Getúlio Vargas restringiu a entrada de estrangeiros, fixando cotas. Mas só houve uma interrupção do movimento imigratório de 1942 a 1952, por causa da Segunda Guerra (1939-1945), quando o Brasil proibiu a entrada de cidadãos dos países do Eixo (Japão, Itália e Alemanha).
Após a derrota e com o país reduzido a escombros, continuou a emigração alemã. Obviamente não há dados sobre a fuga de nazistas e pessoas comprometidas com o regime de Hitler para o Brasil. Mas sabe-se que a América do Sul, principalmente a Argentina, serviu de refúgio a muitos criminosos de guerra.
Nazistas no Brasil
Segundo pesquisa do jornalista argentino Jorge Camarasa, o governo argentino acobertou a entrada de nazistas no país, que entraram em massa no país pelo porto de Buenos Aires, entre 1947 e 1952. Camarasa discorda da tese de que o Brasil teria sido "o quartel-general dos nazistas" na América do Sul.
Além de Josef Mengele, que teria se afogado em 1979 em São Paulo, outros quatro criminosos nazistas viveram no Brasil: Gustav Wagner, Franz Stangl, Herbert Cockurs e o capitão da SS Eduard Roschmann. Do grupo, apenas Stangl, comandante dos tenebrosos campos de Treblinka e Sobibor, na Polônia, foi extraditado para a Alemanha, depois de localizado no Brasil, tendo sido condenado à prisão perpétua em 1967.
Um outro vestígio da passagem de nazistas pelo Brasil foi levantado pela Comissão Especial de Apuração de Patrimônios Nazistas no Brasil, que em 1997 havia identificado 14 contas bancárias pertencentes a nazistas que chegaram no Brasil depois de 1945. Os depósitos seriam distribuídos às vítimas do Holocausto residentes no Brasil.
Depois da Segunda Guerra, os fluxos migratórios mudaram radicalmente. A Europa precisava ser reconstruída, para o que necessitava de um tipo de mão-de-obra não qualificada para exercer ocupações que um europeu não estava mais disposto a fazer. Em vez de fornecer imigrantes, a Europa passou a receber imigrantes.