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Alemanha

A Mídia

Como não poderia deixar de ser no país onde Gutenberg inventou o sistema de caracteres móveis em 1440, os meios de comunicação têm uma forte presença e um grande público na Alemanha.

A Alemanha possui uma mídia altamente desenvolvida, com centenas de jornais – como Bild, Süddeutsche Zeitung e Frankfurter Allgemeine Zeitung –, várias emissoras de televisão – desde públicas, como a ZDF e a rede ARD, até privadas, como a RTL e a Sat.1 –, sites noticiosos cada vez mais populares – como o Spiegel Online e o Tagesschau.de – e inúmeras emissoras regionais ou locais de rádio.

Em 2008, os alemães assistiram, em média, a 207 minutos diários de televisão. Considerando as pessoas acima de 14 anos, 47 milhões de pessoas se informaram diariamente através de jornais no mesmo ano. E os sites de notícias receberam o número recorde de 4,9 bilhões de visitas.

No exterior, a empresa de comunicação alemã mais conhecida é a Deutsche Welle. Com foco no jornalismo, a DW é formada pelo portal de notícias DW-WORLD.DE, que oferece conteúdo em 30 línguas (inclusive o português brasileiro); pela emissora de televisão DW-TV (que transmite em inglês, alemão, espanhol e árabe); e pela emissora de rádio DW-RADIO, cujas emissões incluem dezenas de línguas, entre elas o português.

Na Alemanha, não há uma lei que obrigue os jornalistas a terem uma formação específica. Além dos cursos universitários de jornalismo, uma forma de aprender o ofício é o chamado Volontariat, um concorrido programa de treinamento de dois anos.

Nesse período, o futuro jornalista trabalha em vários setores da empresa para aprender todo o processo de produção. Os candidatos ao Volontariat precisam, entre outros requisitos, possuir diploma universitário em qualquer área.

Jornais

A tiragem dos jornais alemães cai continuamente há anos, segundo informações do IVW, órgão que verifica a circulação de jornais e revistas na Alemanha. Entre 1998 e 2008, a tiragem média paga dos jornais diários (incluindo suas edições dominicais) diminuiu cerca de 6 milhões de exemplares, passando de 29,4 milhões para 23,39 milhões.

No caso dos jornais semanais, a tiragem se manteve estável no mesmo período, oscilando em torno da marca de 2 milhões de exemplares. No último trimestre de 2008, os jornais semanais tinham uma tiragem média de 2,01 milhões.

A tiragem somada de todos os títulos publicados no país era, portanto, de 25,373 milhões de exemplares. Todos os números se referem à circulação paga, ou seja, aos exemplares vendidos em bancas ou por assinatura.

De acordo com a Federação Alemã das Editoras de Jornais (BDZV), 72,4% da população do país com mais de 14 anos lê ao menos um jornal todos os dias. O percentual equivale a 47 milhões de pessoas.

A imprensa local e regional domina o cenário jornalístico alemão, assim como a venda por assinatura (cerca de 14 milhões de exemplares diários no último trimestre de 2008).

Principais diários

O jornal de maior circulação na Alemanha é o popular Bild, da editora Axel Springer, mas a sua tiragem média também cai há anos. No final de 2008, estava em 3.141.974 exemplares, impressos em inúmeras edições locais.

Entre os jornais de circulação nacional mais influentes do país merecem citação os diários Süddeutsche Zeitung (445 mil exemplares vendidos por dia), de Munique, o Frankfurter Allgemeine Zeitung (373 mil exemplares por dia), de Frankfurt, e o Die Welt (270 mil exemplares por dia, incluindo a versão tablóide Welt Kompakt), de Berlim.

Também influentes são os jornais especializados em economia Handelsblatt (Düsseldorf, com tiragem de 145 mil exemplares) e Financial Times Deutschland (Hamburgo, cuja tiragem alcança 102 mil exemplares).

Como reflexo do grande número de estrangeiros e seus descendentes morando na Alemanha, é fácil encontrar publicações em idioma estrangeiro tanto em bancas como em supermercados. É o caso do jornal turco Hürriyet, que tem uma tiragem diária de 41 mil exemplares na Alemanha, país onde os turcos perfazem o maior percentual de estrangeiros entre a população.

Principais semanários

Os jornais semanais de maior tradição no país são o Die Zeit (às quintas-feiras, com tiragem paga de 501 mil exemplares em 2008) e os dominicais Bild am Sonntag (1,62 milhão) e Welt am Sonntag (400 mil exemplares).

O mercado alemão de revistas é dominado pela Der Spiegel, da editora Rudolf Augstein, de Hamburgo, com a média de 1,046 milhão de exemplares vendidos por semana em 2008. Em segundo lugar vem a Stern (Gruner + Jahr), com 960 mil revistas vendidas no mesmo ano, seguida da Focus (Editora Focus), com 738 mil.

Editoras

Berlim é a sede da editora Axel Springer, a maior editora de jornais da Alemanha e um dos maiores conglomerados de mídia da Europa, com atuação em vários países. A empresa foi fundada em 1946 pelo jornalista Axel Springer e seu principal título é o diário popular Bild, jornal de maior circulação da Europa.

Além da Axel Springer, ocupam posição de destaque no cenário editorial a Bauer Verlag (Hamburgo), Gruner + Jahr (Hamburgo), a Burda Verlag (Munique) e o Grupo WAZ (Essen), responsável pelo Westdeutsche Allgemeine Zeitung, o maior jornal regional do país.

Trata-se de empresas que estão presentes através de diferentes veículos, tanto impressos quanto eletrônicos. Vários jornais e revistas alemães são exportados, sobretudo para os tradicionais destinos de férias dos alemães, como as regiões praianas da Espanha e Itália. Alguns dos grupos de comunicação alemães possuem veículos em outros países.

Sistema público de rádio e televisão

Depois da Segunda Guerra Mundial, para evitar uma instrumentalização do rádio como havia acontecido no período nazista, os Aliados que ocuparam o país impuseram um sistema de radiodifusão de direito público, não subordinado aos governos.

Neste contexto, foi criada em 1950 a ARD (Arbeitsgemeinschaft der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten der Bundesrepublik Deutschland – Grupo das Emissoras de Direito Público da República Federal da Alemanha). A ARD é uma rede formada por nove emissoras regionais de rádio e televisão mais a Deutsche Welle, que é voltada para o exterior.

Para ampliar a oferta, em 1963 foi fundada a ZDF (Zweites Deutsches Fernsehen – Segundo Canal Alemão).

Tanto a ARD quanto a ZDF são autárquicas (de controle público e não atreladas a governos), financiadas por uma taxa mensal paga pelos ouvintes e telespectadores e hoje também por pequenos blocos de publicidade. A Deutsche Welle, apesar de fazer parte da ARD, não é financiada por esses recursos, mas por uma verba específica definida pelo Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão).

O sistema público inclui ainda as rádios suprarregionais Deutschlandfunk e DeutschlandRadio Berlin.

Canais privados de televisão

As emissoras privadas começaram a surgir a partir de 1984 e estão concentradas basicamente nas mãos de dois grandes grupos de mídia. De um lado, o do norte-americano Haim Saban, que adquiriu os canais Pro7, Sat.1 e Kabel 1 do falido Grupo Kirch, da Baviera, e a Bertelsmann, proprietária da rede RTL.

Dependendo de onde se mora, capta-se hoje na Alemanha apenas de três a sete canais de tevê com sinal livre. Mas por satélite ou cabo, os alemães podem optar entre mais de 30 canais de televisão e um número superior a 230 emissoras de rádio. Ao contrário do que ocorre em outros países europeus, a recepção via satélite não é codificada e, portanto, gratuita para quem instalar uma antena parabólica.

As emissoras com o maior índice de audiência no mercado alemão são as públicas ARD e ZDF, que tinham em torno de 13% de participação em 2008. A seguir vem o canal privado RTL, com 11,7%, segundo o instituto de pesquisas GfK. Destaque também para as emissoras privadas Sat.1 (10,3%) e Pro7 (6,6%). Conforme o instituto, em 2008 os alemães assistiram, em média, a 207 minutos de televisão por dia.

Tanto nas emissoras públicas quanto nas privadas predomina a produção própria. A programação é muito variada, atendendo aos mais diferentes tipos de público. No rádio, isto também se espelha na oferta das emissoras públicas regionais. Elas costumam manter pelo menos quatro estações, com programas para tipos diferentes de público.

Canais específicos

O grupo ARD e a emissora ZDF mantêm o Kinderkanal, ou simplesmente Kika, voltado ao público infantil, e o canal Phoenix (ambos de 1997), especializado na cobertura sobretudo de política, com transmissões ao vivo dos principais debates parlamentares. Também a RTL oferece um canal (SuperRTL) dirigido somente às crianças.

Em parcerias internacionais, ARD e ZDF participam ainda dos canais culturais Arte (1992, produção conjunta com a França) e 3sat (1984, produção conjunta com a Suíça e a Áustria).

Entre as emissoras privadas de tevê, também existem canais temáticos, como os de notícias (N-TV, N24), de esportes (DSF e Eurosport), de turismo e bolsa de valores.

Internet

Em 2008, o portal de notícias mais visitado da Alemanha foi o Spiegel Online, com 1,09 bilhão de visitas anuais, o que corresponde a uma participação de 22,2% do mercado. Em outubro daquele ano, o site rompeu pela primeira vez a barreira dos 100 milhões de visitas mensais.

O segundo portal mais visitado é o Bild.de, site do jornal Bild. Em 2008, ele chegou a 755 milhões de visitas, o equivalente a um percentual de 15,4%. O portal foi relançado no final de 2007. Entre dezembro daquele ano e dezembro de 2008, o número de visitas mensais passou de 47 milhões para 69 milhões.

Publicidade

A imprensa escrita ainda atrai a maior parcela dos recursos de publicidade na Alemanha. Em 2007, somente os jornais diários ficaram com 4,567 bilhões de euros, um valor que se manteve estável nos últimos quatro anos. A fatia da televisão cresce todos os anos e chegou em 2007 a 4,155 bilhões de euros.

Já a participação da mídia online cresce em percentuais de dois dígitos todos os anos e passou de 271 milhões de euros em 2004 para 689 milhões de euros em 2007.

Última atualização: abril de 2009

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