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Cultura

A Literatura Alemã após 1945

Enzensberger, Heiner Müller & Cia.

A poesia concreta de Max Bense, Helmut Heissenbüttel e Franz Mon rompe com as tradições dos anos 20 e 30, ressaltando os aspectos sonoros e visuais de uma lírica centrada na própria linguagem. Na década de 60 da revolta estudantil e da politização, destaca-se o teatro documental de Rolf Hochhuth e Heinar Kipphardt e o gênero da reportagem política de Günter Wallraff. À busca de novas formas literárias dedicaram-se principalmente Hans Magnus Enzensberger (Morte da Literatura) e Peter Weiss, que entrelaçou a reflexão política com a construção biográfica em sua Estética da Resistência, além de trilhar novos caminhos no teatro com os múltiplos espelhamentos da peça conhecida como Marat-Sade.

O ator Jens Ole faz o papel de Hermann Oberth, na peça 'Hitler's Dr. Faust', de Rolf Hochhuth: pioneiro da aeronáutica, Oberth acabou construindo, entre outras armas, o foguete V-2 para os nazistas

Com a austríaca Ingeborg Bachmann (O Tempo Prolongado), a literatura em língua alemã torna-se intimista e subjetiva. A temática feminista surge nos anos 70, quando também se estabelece o romance histórico ou biográfico (Peter Härtling, Hölderlin). Peter Handke (O Medo do Goleiro Diante do Pênalti ) e Thomas Bernhard (Perturbação, O Sobrinho de Wittgenstein) destacam-se na Áustria, enquanto na Alemanha são Rainer Werner Fassbinder e Franz Xaver Kroetz que agitam o establishment, com suas peças teatrais provocantes e muitas vezes obscenas.

Heiner Müller (Germania, Morte em Berlim) começa a traçar seus burlescos panoramas de época na tradição de Bertolt Brecht e Antonin Artaud e, em 1979, Michael Ende escreve um clássico da literatura infanto-juvenil, A História sem Fim. Martin Walser destaca-se com seu romance Um Cavalo em Fuga, que tem como tema a midlife crisis.

Já os anos 80 estão sob o signo da reflexão sobre a história da família, enquanto no teatro se destaca Botho Strauss (O Grande e o Pequeno, O Quarto e o Tempo).

Christa Wolf lê trechos de seu livro 'Hierzulande. Andernorts' ('Aqui no país. Em outros lugares'), em setembro de 2002: a escritora alemã-oriental ficou famosa com seu livro de discurso pacifista 'Cassandra'

Na lírica fazem sucesso Ulla Hahn e Durs Grünbein. A partir da década de 90, a reflexão sobre a reunificação alemã assume grande espaço, a começar com Uma Pechincha Chamada RDA, de Günter Grass, e novas obras de Christa Wolf e Erich Loest. Em 1993, Walter Kempowski publica o monumental Echolog, um Diário Coletivo, em que reduz seu papel como autor à mera montagem de suas anotações e inúmeros documentos e testemunhos da Segunda Guerra.

Merecem ainda menção na literatura alemã das duas últimas décadas do século 20: Patrik Süskind (O Perfume), Ingrid Noll, Uwe Timm, Reiner Kunze, Peter Schneider, Katja Behrens, Sten Nadolny, Thorsten Becker, Doris Dörrie, Arnold Stadler, Friedrich Christian Delius e Ingo Schulze.

Heinz Konsalik, falecido em 1999, pode ser considerado o escritor alemão de maior sucesso do pós-guerra. O autor de best-sellers, entre eles O Médico de Estalingrado, escreveu 155 romances traduzidos para 42 línguas. Foram vendidos 83 milhões de exemplares de seus livros.

O austríaco Johannes Mario Simmel (Nem Só de Caviar Vive o Homem, Ainda Estamos Vivos) é outro best-seller que vai pelo mesmo caminho. Seus romances de amor, aventuras e conspirações atingiram 70 milhões de exemplares, publicados em 33 idiomas.

dw.de