Após a guerra, imperou o realismo socialista na República Democrática Alemã. Na RFA, a Alemanha Ocidental, os escritores trataram de recuperar os 12 anos de isolamento cultural das tendências modernas.
A criação de dois Estados alemães após a guerra dividiu também a literatura em duas. Embora muitos dissidentes da República Democrática Alemã tenham sido expulsos ou deixado o país, passando a residir na República Federal da Alemanha, foi só a partir da reunificação, em 1990, que a linha divisória começou a desaparecer.
A literatura dividida: Alemanha Oriental
A produção literária na República Democrática Alemã (RDA) esteve, desde o início, sob a doutrina do realismo socialista. Principalmente o teatro voltou-se para peças populares, com personagens de bom caráter. A literatura escrita no exílio foi importante, sendo reeditados os dramas de Bertolt Brecht e traduzidos para o alemão os romances de Arnold Zweig (O Machado de Wandsbek, 1943) e Anna Seghers (Trânsito, 1944, Os Mortos Permanecem Jovens).
Ao contrário da Alemanha Ocidental, muitos escritores exilados retornaram à então zona soviética de ocupação, entre eles os três já citados e Ernst Bloch. Os primeiros romances foram dedicados às inúmeras tragédias da guerra.
Após uma idealização do universo do trabalhador, na década de 60 os escritores foram incentivados a conhecer melhor as indústrias, para produzirem obras mais realistas e superarem a dicotomia entre trabalho manual e intelectual. Por outro lado, tratou-se também de animar os trabalhadores a escrever.
Christa Wolf tematizou, pela primeira vez, a divisão alemã em O Céu Dividido (1963). Aos poucos, os temas históricos cederam lugar aos que se relacionavam com a a própria vida dos autores. Jurek Becker tratou de forma crítica o cotidiano alemão oriental, e a nova subjetividade dos anos 70 refletiu-se na obra lírica de Sarah Kirsch. No gênero do romance histórico-mítico, destacou-se Stefan Heyn, com O Relatório Rei Davi (1972) e Ahasver (1981).
Wolf Biermann em seu legendário concerto em Colônia, em 14 de novembro de 1976, quando acabava de ser expatriado, tendo cassada a sua nacionalidade alemã oriental
Com suas sátiras políticas, o poeta e compositor Wolf Biermann caiu na mira do Stasi, o poderoso serviço de segurança do Estado. Sua expatriação para a Alemanha Ocidental, em 1976, teve sérias conseqüências para o cenário literário do país.
Vários escritores seguiram os passos de Biermann e acabaram deixando o país, pressionados de alguma forma pelos órgãos repressivos do Estado, entre eles Reiner Kunze, Rolf Schneider, Erich Loest e Sarah Kirsch. Antes, já haviam voltado as costas para o regime comunista Walter Kempowski, cujos diários resultaram nos nove volumes de sua Crônica Alemã, que só seriam publicados nos anos 80, e Uwe Johnson, autor de Suposições sobre Jacó e obras sobre a divisão alemã.