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Cultura e Estilo

Alemães à procura de uma nova pátria no Brasil

E ali construir também suas escolas, pois ainda não se podia falar de um sistema escolar brasileiro no século 19. Quem sabia um pouco mais, trocava a enxada pela lousa e o giz. ..."há aulas em todas as picadas, mas com muita interrupção; uma vez é o professor que não tem tempo, outra é a criança e, mal começa a escola, vem o tempo de colher", escreveu Peter Tatsch, do Hunsrück, que foi parar em São Leopoldo, à sua família na Alemanha.

A fé protestante na bagagem

As primeiras igrejas protestantes também estão documentadas na exposição. No início, elas não podiam ter torres nem sinos, proibição que só acabou com a proclamação da República e a separação entre o Estado e a Igreja. Uma foto mostra a de Campinho, hoje Domingos Martins, no Espírito Santo.

Construída em 1887, ela foi a primeira igreja luterana a ser erguida com uma torre, apesar da proibição. A igreja representou um papel importante na vida social dos imigrantes, principalmente no tocante a escolas, à conservação das festas, tradições e do idioma alemão.

Assimilação e nacionalização

Em mais de um século de imigração, os alemães e seus descendentes acabaram criando uma cultura que pode ser chamada de teuto-brasileira. Conforme a região em que se fixaram, eles estiveram expostos às mudanças resultantes do processo de adaptação à sociedade brasileira e convívio com outras nacionalidades. A assimilação foi mais rápida nos grandes centros urbanos.

Mas também houve problemas de integração e dificuldades, principalmente durante a Primeira Guerra Mundial, a campanha de nacionalização do governo brasileiro no final da década de 30 e também durante a Segunda Guerra Mundial. O uso do idioma alemão em público chegou a ser proibido, assim como escolas, associações e publicações. A partir de 1945 foram suspensas as proibições.

Garotada das famílias Reinholz e Kempin, de Domingos Martins (ES), foto de C. Franceschetto, 1995

Consta que onde há três alemães com o mesmo interesse, funda-se uma associação. E no Brasil não foi diferente, surgindo principalmente as associações de ginástica, canto e atiradores, conforme o modelo das Turnvereine, Gesangvereine e Schützenvereine. Uma foto de Curitiba mostra o grande casarão que abrigou a Liga Alemã de Cantores, em 1887.

Cidades, indústria e comércio

Na parte referente ao desenvolvimento das cidades, a exposição mostra reproduções de quadros antigos e fotografias, documentando como surgiram Blumenau, fundada em 1850 e resultando de uma colônia particular, Joinville (SC), antes Kolonie Dona Francisca, Novo Hamburgo (RS) e Petrópolis (1846). Não foi apenas a agricultura que propiciou o surgimento das cidades. Os colonos alemães também eram exímios artesãos e aos poucos surgiram microempresas e as primeiras indústrias.

No início do século 20 surgiram também empresas alemãs em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Rio Grande e Florianópolis. A São Paulo de 1890 tinha 2500 alemães entre seus 50 mil habitantes. Eles controlavam 18% dos ofícios, 19% da indústria e 7% do comércio naquela época. Outros painéis da exposição abordam a contribuição alemã para a agricultura e as técnicas de construção de casas. E não podiam faltar detalhes sobre a "viagem rumo ao desconhecido", os barcos e companhias que trouxeram os imigrantes, sua chegada e as hospedarias onde passaram os primeiros dias na sua nova pátria.

Roteiro da exposição

Até o dia 28 de março, "O Brasil não é longe daqui" pode ser visto em Berlim. Depois, segundo o Icbra, seu roteiro deve ser o seguinte:

  • Boppard (2 a 27 de abril),
  • Frankfurt (30 de abril a 8 de junho),
  • Simmern (11 de junho a 20 de julho),
  • Berlim novamente (23 de julho a 17 de agosto),
  • Idar-Oberstein (20 de agosto a 28 de setembro),
  • Kaiserslautern (1º a 26 de outubro),
  • Weiskirchen (29 de outubro a 23 de novembro)

dw.de