A União Monetária e os desafios do futuro
Como grande partidário da integração européia, Kohl ajudou a preparar o terreno para a planejada União Monetária. Mas coube a Schröder conduzir o país à nova era que se iniciou na Europa em 1º de janeiro de 1999, com a introdução do euro como moeda contábil. A Alemanha e dez países-membros da UE abdicaram de suas moedas nacionais em favor da nova moeda comum na zona do euro.
A introdução da moeda comum e as condições de admissão na União Monetária foram fixadas em 1992 no Tratado de Maastricht, entre os chefes de Estado e governo da UE. No tratado, que passou a valer em 1993, os países parceiros se comprometeram em adotar uma política exterior e de segurança comum e fortalecer a cooperação em relação a política interna, justiça, política de imigração e combate a drogas e criminalidade. Foi um importante passo rumo à união política da Europa.
Para os alemães não foi fácil despedir-se do marco e aceitar o euro
Ao contrário de alguns países europeus, a Alemanha teve um alto grau de aceitação da integração européia. Mesmo após a reunificação, o índice de aprovação à idéia sempre esteve acima de 50%, chegando a atingir até 70%. Não obstante, foi difícil para os alemães se despedirem do marco alemão, a moeda que simbolizara o "milagre alemão" do pós-guerra e ficara associada à estabilização da economia. Em 1998, ainda havia grande rejeição ao euro na Alemanha.
A nova unidade monetária entrou em circulação em 1º de janeiro de 2002. Embora tenham se acostumado à nova moeda, muitos alemães associam o euro à queda do poder aquisitivo nos anos de estagnação do crescimento que marcaram o início do novo milênio. Ainda hoje há quem se refira ao marco alemão com um ar de "aqueles eram os bons tempos".
Atual legislatura
Nas eleições parlamentares de 2002, o Partido Social Democrata de Schröder perdeu votos (38,5%), mas conseguiu manter-se no poder em coalizão com o Partido Verde (8,6%). Durante a campanha eleitoral, chegou a delinear-se uma possível vitória da oposição, mas o chanceler conseguiu reverter a situação no último momento com seu categórico "não" a uma participação da Alemanha na guerra do Iraque. O fracasso no combate ao desemprego foi um ponto que por pouco não custou a reeleição de Gerhard Schröder.
Além dos desafios de combater o desemprego, que continuou aumentando durante seu governo, e manter o Estado alemão financiável, diante do envelhecimento da população, Schröder acompanhou a ampliação da União Européia: em 2004, dez novos membros ingressaram na comunidade, representando uma delicada época de transição.
Ao longo do segundo mandato, a perda de espaço do SPD nas eleições estaduais foi dificultando a aprovação de reformas no Parlamento. Com uma base de apoio cada vez menor, Schröder anunciou, em maio de 2005, que tentaria antecipar as eleições parlamentares previstas para o ano seguinte.
As novas eleições aconteceram, afinal, em setembro de 2005, e resultaram num impasse: nem o SPD (em aliança com o Partido Verde) nem a CDU (aliada à União Social Cristã e ao Partido Liberal Democrático) alcançaram a maioria. A solução foi a criação da Grande Coalizão: a aliança entre o SPD e a CDU/CSU. Schröder concordou em ceder a chancelaria a Angela Merkel, que era presidente da CDU desde 2000.
Angela Merkel foi eleita chanceler em 22 de novembro de 2005, com 397 de 611 votos do Parlamento alemão. Tornou-se assim a primeira mulher a assumir a chefia do governo alemão, e o fato de vir do Leste alemão tornou sua eleição ainda mais significativa. O SPD e a CDU/CSU dividiram os cargos em seu gabinete.
Em 2006, Merkel estabeleceu um programa de oito metas para o seu governo, prevendo mudanças nas políticas energética, familiar, federalista, trabalhista e, um ponto importante, no sistema de saúde: em março de 2007, conseguiu aprovar as reformas no sistema de seguro saúde, que passam a valer a partir de 2009.
Na política externa, Merkel voltou a estreitar as relações com os Estados Unidos, que ficaram estremecidas após a exposição de Schröder à guerra no Iraque. No âmbito europeu, manteve o papel central da Alemanha na União Européia. O bloco passou a englobar 27 países em 2007, com a entrada da Bulgária e da Romênia.
De janeiro a junho de 2007, a chanceler assumiu a presidência do Conselho da União Européia. Os principais marcos durante a sua presidência foram o estabelecimento de novas medidas para combater o aquecimento global (com a nova meta do bloco de reduzir, até 2020, a emissão de gases do efeito estufa para 1/5 do valor de 1990); a cúpula comemorativa dos 50 anos da UE, em Berlim; e o acordo para elaborar um novo tratado para a UE, substituindo o fracassado projeto de criar uma Constituição européia.
Merkel inovou na comunicação com a população ao criar um podcast semanal informando sobre as ações do governo. O vídeo com a mensagem da chanceler federal ao povo é transmitido todo sábado, e foi lançado em junho de 2006, enquanto o país sediava a Copa do Mundo. No fim de 2006, Merkel foi reeleita presidente da CDU. No mesmo ano, foi considerada a mulher mais poderosa do mundo pela revista americana Forbes, e estava entre as cem pessoas com mais influência no mundo listadas pela revista Time.
Última atualização: junho de 2007