Cinematografia nazista e o cinema de exílio (1933-1945)
Em 1933, com a chegada dos nazistas ao poder, a situação viria a mudar radicalmente. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda do governo Hitler, se autodenominava "o patrono do cinema alemão". Organizações nazistas para produções teatrais e cinematográficas foram criadas em todo o país, enquanto artistas e cineastas de origem judia deixavam a Alemanha rumo ao exílio. Nomes de diretores judeus chegaram a ser removidos dos créditos de filmes produzidos nos anos anteriores.
Muitos destes artistas e técnicos fugiram em direção a outros países europeus e posteriormente a Hollywood. Embora seja um erro considerar as produções de vários diretores no exílio como parte da história do cinema alemão, há de se notar que filmes feitos por nomes como Fritz Lang, Robert Siodmak ou Douglas Sirk no exílio norte-americano continuaram marcados por códigos europeus, especialmente alemães.
Uniformização ideológica – Já a partir de 1933, a indústria cinematográfica do país passou a estar inteiramente subordinada aos interesses do Estado, que viria a assumir oficialmente seu controle em 1938. O cinema tornava-se assim um meio cada vez mais utilizado de manipulação popular, completamente integrado ao aparelho de propaganda do Terceiro Reich.
Em 1934, uma nova legislação baniu, proibiu e confiscou tudo aquilo que do ponto de vista estético ou de conteúdo fosse considerado avesso ao nazismo. É interessante notar que o número de filmes concluídos, que acabaram sendo censurados, é relativamente pequeno, pois roteiros só eram aprovados se compatíveis com a ideologia nazista.
Propaganda – Entre 1937 e 1942, todas as produtoras independentes restantes foram sendo sistematicamente eliminadas do mercado. Em 1938, foi proibida a entrada de judeus nos cinemas do país. Enquanto isso, a produção nacional era caracterizada por filmes de propaganda do regime e um sem-número de filmes convencionais, voltados para o mero entretenimento.
Pode-se dizer que a cinematografia nazista era definida basicamente pelos gêneros populares e pela presença de atores famosos, transformados em verdadeiras estrelas nacionais, sempre próximas ao poder. A ausência de qualquer espécie de crítica ao regime, a predileção por musicais e comédias, diálogos rasos e conformistas, e uma narrativa clássica foram algumas das linhas do cinema nacional da época.
Retrato de Leni Riefenstahl em sua casa
Estetização fascista da política – Entre os diretores que desenvolveram um cinema 100% aliado à ideologia nazista estão Leni Riefenstahl (Triunfo da Vontade, 1935, e Olimpíadas, 1938) e Veit Harlan (O Judeu Süss, 1940).
Rodado durante o Congresso do Partido Nacional-Socialista (nazista), em 1934, Triunfo da Vontade leva à tela o encontro entre o Führer e o povo, numa coreografia exata de detalhes, que através de uma forte simbologia e de elementos formais como a repetição ou a simetria consegue transformar a história em espetáculo, em uma apropriação da política pela estética fascista.
Através de rostos em êxtase e corpos perfeitos, Riefenstahl atinge, através de suas imagens impecáveis do ponto de vista formal, o ápice da estética da perfeição racial pregada pelo regime nazista. Há de se notar que Triunfo da Vontade é um clássico da estética fascista, mas não um exemplo do que era produzido em grande escala na época.