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Conferência do Clima prorroga Protocolo de Kyoto até 2020

8 de dezembro de 2012

Após longa negociação, participantes da cúpula em Doha chegam a acordo, em que 37 países prometem continuar reduzindo liberação de gases de efeito estufa. Estados abrangidos reúnem 15% das emissões globais.

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Klimakonferenz Doha Abdullah bin Hamad Al-AttijahFoto: picture-alliance/dpa

No acordo selado em Doha, 37 Estados assumem o compromisso de continuar reduzindo suas emissões de CO2 até 2020. Juntos, estes países respondem por aproximadamente 15% das emissões de todo o mundo. Não foi definida, contudo, a dimensão de tal redução.

Até 2015, deverá ser negociado um novo acordo que deverá suceder o Protocolo de Kyoto e ser válido para todos os Estados. Rússia, Canadá, Japão e Nova Zelândia não participarão mais do Protocolo de Kyoto em sua segunda fase, que começa em 2013 e no qual estão incluídos agora somente os 27 países da UE, alguns outros Estados europeus e a Austrália.

Novo acordo a partir de 2020

A fim de incluir os maiores emissores de poluentes do mundo – EUA e China – assim como outros países, deverá ser negociado até 2015 o acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto e que deverá vigorar a partir de 2020. Para isso, foi definido em Doha o esboço de um plano de trabalho e agendadas negociações em Bonn, na Alemanha, no decorrer de 2013. A proposta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, da realização de uma cúpula do clima em 2014 foi bem recebida em Doha.

Klimakonferenz Doha
Países em desenvolvimento: ajuda asseguradaFoto: DW/ A. Rönsberg

O documento de encerramento da Conferência do Clima registra também uma "profunda preocupação" dos países participantes com a insuficiência dos atuais esforços em prol de uma redução de emissões, a fim de limitar o aquecimento global em 1,5 a 2 graus. Hoje, os prognósticos científicos são de um aquecimento de 4 graus ou mais até o ano de 2100.

A Conferência de Doha aprovou, ainda, ajuda financeira a países em desenvolvimento. Pelo menos 100 bilhões de euros por ano deverão ser destinados, a partir de 2020, para que esses países possam investir na proteção climática e reagir às consequências do aquecimento global. Serão recursos públicos, privados e de outras fontes.

Promessas vagas

"A proteção climática em Doha deixa a desejar. As resoluções fracas da conferência não representam uma contribuição para frear o aquecimento global", reclamou Hubert Weiger, presidente da Federação para Meio Ambiente e Proteção Ambiental da Alemanha (BUND). Ele argumenta que os anúncios, que considera vagos, e a intenção de disponibilizar "muito poucos recursos financeiros" não contribuirão para manter o aquecimento global abaixo dos dois graus. 

Weiger lembra que acordos climáticos frágeis entre a comunidade internacional propiciam inundações cada vez mais frequentes em regiões costeiras e pequenas ilhas. "Em poucos anos, é possível que centenas de milhares de pessoas percam suas terras de origem."

Klimakonferenz Doha Peter Altmaier Abdullah bin Hamad Al-Attijah
Ministro alemao do Meio Ambiente, Peter Altmaier, na cúpulaFoto: Ingo Strube/BMU/dapd

Weiger chama também a atenção para a fragilidade do governo alemão. Ele definiu como fraca a atuação do ministro alemão do Meio Ambiente, Peter Altmaier. "A Alemanha também é responsável pelo fato de o único acordo internacional de proteção climática ser agora apenas a sombra de si mesmo", criticou o especialista.

Apesar das críticas, a comissária de clima da UE, Connie Hedegaard, declarou que o "pacote de Doha" é um "passo essencial" para a proteção ambiental no futuro.

SV/ afp/dapd/dpa
Revisão: Marcio Damasceno