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Especial

Brasil e Alemanha tentam reforçar relação econômica centenária

São Paulo recebe Encontro Econômico Brasil-Alemanha, exemplo da bem-sucedida relação comercial entre os dois países, iniciada em 1895 com a Siemens. Hoje, cerca de 1.400 empresas alemãs estão instaladas no Brasil.

Poderia ser uma pergunta de quiz. Quando foi aberta a primeira filial de uma grande companhia alemã no Brasil? A resposta correta é 1895, ano em que a Siemens resolveu se aventurar na então desconhecida economia brasileira. Ela foi seguida pela Basf, que chegou ao Rio de Janeiro em 1911, e, há exatas seis décadas, pela Volkswagen, que estabeleceu em São Paulo o que viria a se tornar uma tendência.

Nesses 60 anos, várias outras empresas seguiram o caminho da VW e, hoje, São Paulo é a maior cidade industrial alemã fora da Alemanha. "As empresas alemãs dão, há mais de cem anos, uma contribuição fundamental para a industrialização brasileira", diz Oliver Döhne, representante no Brasil do instituto GTAI (Germany Trade and Invest).

Balança equilibrada

Na imprensa especializada alemã, no entanto, ainda se lê pouco sobre o Brasil, muitas vezes preterido por seus parceiros de Brics Rússia, China e Índia. Mas as aparências enganam.

"O Brasil está, simplesmente, há muito tempo presente, enquanto China e Índia estão chegando agora", explica o economista berlinense Manfred Nitsch, que cita o crescimento per capita nos gigantes asiáticos. "Na China, foi de cerca de 10% numa população estagnada, e no Brasil de menos de 5% numa população que cresce rapidamente."          

Nas trocas comerciais bilaterais, as exportações brasileiras são sobretudo de minério de ferro, soja, carne e café. A Alemanha, por outro lado, vende para o Brasil produtos químicos e aço, assim como bens das tradicionais indústrias automobilística e de maquinaria.

"O Brasil é o único país para o qual a economia alemã tem um grêmio de empresários independente", diz Rafael Haddad, diretor-executivo no Brasil da BDI (a confederação nacional da indústria alemã), principal organizador do Ano Alemanha+Brasil e do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, que ocorre nas próximas segunda e terça-feira em São Paulo.

A Siemens foi a primeira grande empresa alemã a se instalar no Brasil

Apesar dos fortes laços econômicos e da balança comercial equilibrada entre Alemanha e Brasil, a relação tem significados diferentes para as duas economias. Em 2012, o Brasil ocupou o 21º lugar entre os parceiros comerciais da Alemanha. Por outro lado, cerca de 5% das exportações brasileiras nos últimos anos tiveram a Alemanha como destino, atrás apenas de China, EUA e Argentina.

"A Alemanha tem na União Europeia vizinhos muitos fortes, diante dos quais praticamente não há barreiras comerciais. Além disso, muitas empresas alemãs no Brasil são ativas por si só, uma relação que não influencia a balança comercial", afirma Haddad.

Novos investimentos

A presença das empresas alemãs no Brasil voltou a ganhar força nos últimos anos, após, na década de 1990, período de muitas privatizações na economia brasileira, ter sofrido um arrefecimento.

"Desde 2010, cerca de 200 novas companhias se fixaram aqui", diz Döhne, que estima em 1.400 o número empresas alemãs no Brasil, com cerca de 250 mil empregados. Elas produzem não apenas nos setores clássicos de exportação, mas também nos campos de medicina, segurança e energia.

Ao mesmo tempo, o fluxo de investimento faz também o caminho inverso – do Brasil para a Alemanha. Em 2011, por exemplo, a CSN adquiriu a siderúrgica Stahlwerk Thüringen (SWT), e a Braskem assumiu o controle de duas instalações em território alemão.

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