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Alemanha

Beate Zschäpe, a figura materna da célula terrorista NSU

Única sobrevivente da célula de extrema direita Clandestinidade Nacional-Socialista, ela organizava o dia a dia do trio terrorista. Porém permanecem obscuras as motivações da ré principal no processo da NSU.

Em 4 de novembro de 2011, na Frühlingsstrasse da cidade de Zwickau, Beate Zschäpe olha para trás pela última vez. A casa onde viveu os últimos três anos está em chamas. Pouco antes, ela espalhara um líquido inflamável por todo o apartamento. Pouco depois, às 15 horas, uma explosão rompe o silêncio no bairro de Weisseborn.

Três horas antes, seus cúmplices Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt haviam tirado as próprias vidas, depois de a polícia os haver descoberto. Naquela tarde de novembro, Zschäpe foge da lei, deixando tudo para trás.

Ela é a única sobrevivente do grupo terrorista Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU). Para o procurador geral da República, é a ré principal, mas, até o momento, tem se mantido em silêncio. Seu comportamento será decisivo para o decorrer do processo da NSU, pois é a última testemunha. Dela depende se será possível desvendar os atos e motivos do grupo.

"Centro emocional" da célula terrorista

No entanto, não se sabe muito sobre a única mulher do trio completado por Mundlos e Böhnhardt. Mas Beate Zschäpe teve um papel crucial na célula terrorista no grupo: segundo a Procuradoria Geral, ela era uma espécie de "centro emocional desse grupo".

Desde o início de sua vida, Zschäpe teve motivos para se sentir indesejada. Seu nascimento, em janeiro de 1975, veio como uma surpresa para a mãe: ela nem sequer percebera que estava grávida, e dera entrada no hospital sob suspeita de cólica renal.

A jovem de 22 anos acabara de conseguir uma vaga para cursar Odontologia em Bucareste, e não queria que o importuno parto comprometesse seus estudos. Duas semanas após o nascimento, a mãe de Beate voltou à Romênia, deixando a filha com a avó, na cidade de Jena.

Casa onde morava o trio terrorista, após incêndio provocado por Zschäpe

Infância conturbada

Em Bucareste, a jovem mãe havia se envolvido com um jovem colega romeno. Mais tarde, ela afirmará ser ele o pai de Beate, durante um interrogatório no Departamento Federal alemão de Investigações. O ex-colega, por sua vez, negou a paternidade até morrer, em 2000. Esse é um detalhe insólito do caso: Beate Zschäpe, a mulher que provavelmente colaborou, ou pelo menos tolerou, assassinatos de motivação xenofóbica, é possivelmente metade romena.

Em Jena, de início a avó cuidou da menina, mas após 12 semanas a entregou a uma creche. Quando Beate atinge os seis meses de idade, o então namorado da mãe a leva consigo. A estudante se envolvera com ele pouco antes do nascimento de Beate.

Mais tarde, esse relacionamento acaba. A mãe se casa novamente e três anos depois se divorcia. Como ela irá confessar aos investigadores do caso da NSU, sua filha nunca teve um pai de verdade. É uma vida sem calma nem tranquilidade: nos 15 anos entre o nascimento de Beate e a queda do Muro de Berlim, ela e sua mãe mudaram seis vezes de endereço, em Jena e arredores.

Sua mãe a deixava com freqüência sob a tutela da avó. Com esta, ao que parece, Beate se sentia segura. Após sua prisão em 2011, ela deixa registrado que fora uma "filha da vovó".

Da esq. para a dir.: Böhnhardt, Mundlos, Zschäpe,

Depois da queda do Muro

Na época da reunificação das Alemanhas, em 1989-1990, Beate perde visivelmente o rumo da vida. Aos 14 anos se junta a uma gangue de jovens do conjunto habitacional de Jena-Winzerla. Ela busca uma perspectiva e orientação. O relacionamento com a mãe se deteriora. No outono de 1991, aos 16 anos de idade, ela conhece Uwe Mundlos. Juntos, eles arrombam o centro juvenil de direita, roubam dinheiro e cigarros. Os dois se apaixonam e ficam noivos.

O início da vida profissional de Beate é hesitante. Ela não consegue uma vaga de formação como professora de jardim-de-infância, em vez disso faz biscates como assistente de pintora. Mais tarde, ela começa o treinamento em jardinagem. Durante o curso, abandona o namorado Uwe Mundlos: enquanto ele cumpria o serviço militar, ela se apaixona por seu melhor amigo, Uwe Böhnhardt.

Os três passam quase 20 anos juntos, até o fim da célula terrorista NSU, em 2011. No início, Beate Zschäpe é para os dois rapazes apenas uma amiga, uma garota boazinha. Mas quando está com os companheiros de extrema direita, ela revela seu outro lado, torna-se agressiva e se envolve em pancadarias.

Apesar de ter sido abandonado por Beate, Mundlos continuava buscando sua companhia. Segundo um amigo de escola do rapaz, o trio só pôde se formar porque ele a continuava amando. Os dois rapazes se transformam para Zschäpe num substituto de família.

Na clandestinidade

A partir de 1995, a radicalização do grupo se acelera. Zschäpe, Mundlos e Böhnhardt caem na mira do Departamento de Proteção da Constituição. Quando, em janeiro de 1998, o Departamento Criminal da Turíngia encontra uma garagem alugada por Zschäpe onde são fabricadas bombas simuladas, a amizade se transforma definitivamente numa "célula", e o trio entra para a clandestinidade.

Enquanto Mundlos e Böhnhardt cometiam assassinatos e assaltos a bancos, Beate mantinha a fachada. Ao se mudarem para o apartamento em Zwickau, na Frühlingsstrasse 26, em março de 2008, ela até vai se apresentar aos vizinhos.

Internamente, Beate mantinha a coesão da célula terrorista, para fora, representava a vizinha simpática. Ela logo ficou popular na vizinhança, cuidava dos contatos, oferecia pizza para todos. Seus dois companheiros de casa se mantinham sempre em segundo plano, agindo com discrição. Os dois homens não olhavam ninguém nos olhos, nem cumprimentavam, contou à imprensa um morador da casa em frente.

Os vizinhos viam Beate pendurar roupas no varal, ela cozinhava quase todos os dias. O cheiro de comida que vinha do apartamento era sempre bom, contaram aos repórteres. Enquanto isso, os dois homens saíam em rondas assassinas.

Desde o princípio, os papéis eram bem definidos dentro do trio: Mundlos era o cérebro, Böhnhardt, aficionado em armamentos, era o executor. Beate era a dona de casa e mãe da "família" – como ela própria afirmará mais tarde, na prisão preventiva. Uma família como ela nunca teve na infância.

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