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Brasil

As marcas dos alemães no Espírito Santo

Desde 1847, alemães marcam presença no Estado que tem a maior concentração de pomeranos do Brasil. Influência dos imigrantes deixou marcas e manifesta-se em muitos setores da vida capixaba.

Desfile alegórico em Domingos Martins em comemoração da chegada dos primeiros alemães

Até meados do século 19, somente a faixa costeira do Espírito Santo havia sido ocupada. Os primeiros a desbravar a serra no interior do Estado foram imigrantes da região de Hunsrück na Alemanha. Eram 39 famílias, 26 luteranas e 13 católicas, que em 1847 chegaram ao Brasil com a expectativa de se fixar no Sul do país, onde o clima era semelhante ao de sua terra natal. D. Pedro II, reconhecendo a necessidade de desenvolver o maciço central do Espírito Santo, ainda habitado por índios botocudos, resolveu enviar o grupo de 163 récem-chegados a essa área montanhosa e de clima ameno, para fundarem a colônia de Santa Isabel.

Desânimo inicial e conflito religioso

A princípio, cada família recebeu do governo uma parcela de 50 hectares de terra para o cultivo, além de uma ajuda de custo; não era uma doação, mas um empréstimo a ser pago a prazo. Após a demarcação das terras, cada família construiu uma primeira casa, de barro e folhas de palmeiras.

A grande distância entre as famílias, os perigos da mata, a dificuldade de adaptação à alimentação estranha (feijão preto, mandioca e caça), as cobras, a praga dos insetos e a falta de apoio por parte das autoridades contribuíram para o desânimo inicial. Nos primeiros dez anos, a mortandade chegou a superar a natalidade, as 38 famílias com 163 pessoas passaram para 39 famílias com 158 pessoas.

Além de todas as dificuldades iniciais, a convivência entre as famílias católicas e luteranas se deteriorou. A Vila de Viana, centro mais próximo da colônia de Santa Isabel, havia sido colonizada por católicos açorianos que se recusavam a negociar com os luteranos, dando exclusividade aos colonos católicos. O clima de hostilidade entre os grupos dividiu a colônia e retardou o desenvolvimento social das comunidades.

Os católicos, que inicialmente freqüentavam a igreja de Viana, se opunham à construção de uma igreja luterana. Os luteranos, resistindo à oposição, construíram sua primeira igreja em uma localidade um pouco mais acima de Santa Isabel, dando origem à atual Domingos Martins. Foi a primeira igreja luterana do Brasil.

Prosperidade e crescimento

Em 1858, o ex-oficial prussiano Adalberto Jahn assumiu a administração da colônia de Santa Isabel e os problemas econômicos de maior urgência começaram a ser resolvidos. Além disso, a reorganização social em torno da igreja e a criação de escolas trouxe certa estabilidade social. Logo vieram outros imigrantes atraídos pela promessa de terras e trabalho.

Em meados de 1860, a colônia de Santa Isabel já era constituída por 628 pessoas, imigrantes da mesma região dos pioneiros, bávaros e prussianos entre outros. Os colonos já colhiam dez mil arrobas de café e os alojamentos temporários foram substituídos por casas mais resistentes. A vida começou a melhorar.

Com a prosperidade, a tendência inicial se inverteu e a natalidade passou a superar a mortalidade, de tal forma que em 1912 a taxa anual de crescimento vegetativo entre os colonos era de 4% e a mortalidade, mínima. Famílias com 12 a 20 filhos eram comuns.

A colônia de Santa Isabel ainda se encontrava isolada na região serrana do Espírito Santo, quando uma nova leva de imigração deu início ao que mais tarde se tornaria um complexo de colônias européias bastante peculiar e relativamente desconhecido fora do Estado.

Santa Leopoldina – região de todas as Europas

D. Pedro II, animado com o sucesso da primeira empreitada, permitiu o assentamento de novos grupos de imigrantes. Surgiram novas colônias imperiais, como a de Santa Leopoldina em 1857, onde chegaram principalmente imigrantes da Prússia, Saxônia, Hessen, Baden e Baviera, além de outras regiões da Alemanha.

Cena rural no Espírito Santo

Com a grande leva de alemães, vieram também famílias de luxemburgueses, austríacos do Tirol, holandeses e suíços, entre outros. Hoje, encravadas nas encostas das montanhas, próximas a rios e cachoeiras e muitas vezes ainda cercadas pela Mata Atlântica, o visitante encontra vilas com o nome de Tirol, Nova Holanda, Luxemburgo ou Suíça.

A imigração durou até 1879, quando só em Santa Leopoldina os colonos e seus descendentes já eram cerca de sete mil, número que subiu para 18 mil em 1912. Em 1960, calculava-se a existência de cerca de 73 mil teuto-capixabas, ou seja, 6% da população do Estado. Em 1980 esse número já estava por volta de 145 mil. Hoje estima-se que vivem no Espírito Santo aproximadamente 250 mil descendentes de imigrantes alemães.

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