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África

Agricultura moçambicana tem condições para produzir mais e melhor

Políticas públicas eficazes podem melhorar o desempenho agrícola de Moçambique e combater a escassez alimentar. Irrigação, técnicas modernas e o exemplo do Malawi são as sugestões de três especialistas moçambicanos.

Especialista estrangeiro avalia efeitos da seca, em Moçambique

Especialista estrangeiro avalia efeitos da seca provocada pelas alteracões climáticas

Investimentos públicos em irrigação, logística, e novas técnicas de cultivo deverão ser os eixos estratégicos que o governo de Moçambique deverá explorar no futuro para desenvolver e modernizar o setor agrícola, defenderam especialistas moçambicanos em declarações à Deutsche Welle.

Em Moçambique mais de 80 por cento das famílias pobres vive em áreas rurais. A agricultura é a principal fonte de alimento e renda. A produtividade agrícola é uma das mais baixas da África Austral contribuindo para um acentuado défice na balança agrícola do país e para a escassez de bens alimentares.

A pesquisa do INE indica que para 42,2 por cento das famílias rurais, os campos não produzem o suficiente para as suas necessidades alimentares. Aquele número subiu para 65,7 por cento na província de Gaza e para 51,9 por cento em Inhambane, ambas no sul do país.

Escassez alimentar

Criança a comer arroz

Criança a comer arroz

Em Nampula, uma das províncias mais férteis e populosas do país, 50,8 por cento dos agregados familiares revelaram ser afetados pela escassez de alimentos.Na maioria dos casos 51,3 por cento das famílias que tiveram escassez de alimentos culparam a falta de chuva para a quebra de safra, mas 9,1 por cento disseram que passavam fome porque não têm terras suficientes para cultivar.

O economista Mahomed Valá, do Ministério da Agricultura, diz que o país enfrenta dificuldades na modernização do setor agrícola e na melhoria da irrigação dos solos aráveis. “Infelizmente temos ainda 97 a 98 por cento da população a praticar agricultura de sequeiro, porque realizamos poucas benfeitorias na irrigação.”

Segundo o censo do INE, 57 por cento da área cultivada no país é ocupada por "alimentos básicos", como arroz, sorgo, milho, amendoim e vários tipos de feijão. Embora a mandioca seja um alimento básico na maior parte do campo e cultivada em mais de um milhão de hectares, não é considerada " cultura alimentar básica".

O economista moçambicano, Nuno Castel Branco, sustenta que o governo, à semelhança do que faz noutros setores, deve mostrar que também é capaz de dinamizar a agricultura e melhorar a vida dos camponeses.

“Em Moçambique somos capazes de organizar a produção de carvão de gas, a produção de alumínio, de areias pesadas e não somos capazes de organizar a produção, armazenamento, conservação, transformação, transporte dos alimentos que as pessoas precisam para comer. Não pode ser. Não faz sentido.”

A pesquisa do INE revela que 42,2 por cento das famílias rurais acham que a atividade agrícola não produz o suficiente para as suas necessidades alimentares. Nas províncias de Gaza e Inhambane,no sul do país, a mesma percepção é partilhada respectivamente por 65,7 e 51,9 por cento dos inquiridos.

Castel Branco considera que esta situação demonstra a necessidade de uma abordagem estratégica bem como de potenciar a articulação das atividades agrícolas, com a indústria, e os serviços, designadamente nas áreas dos transportes e logística.

“Para ter agricultura temos que ter alguma indústria e para ter alguma indústria temos que ter agricultura. Para a agricultura e indústria se ligarem eu tenho que ter transporte, caminho-de-ferro, barco, estrada, armazém e carro. É preciso ter um sentido estratégico”, acrescentou.

Malawi é exemplo

Escassa produçao de trigo e de arroz

Escassa produçao de trigo e de arroz

Em Nampula, província fértil e populosa no norte do país, 50,8 dos domicílios revelaram ter vivido situações de escassez alimentar.

Na maioria dos casos 51,3 por cento das famílias afetadas atribuíram a quebra das colheitas com a falta de chuva. Quase 10%, em contrapartida, disseram que passam fome porque não têm terras suficientes para cultivar.

O economista Fernando Couto considera incompreensível que Moçambique importe alimentos quando tem potencialidades para ser um grande produtor agrícola no continente africano desde que sejam adotadas políticas públicas adequadas.“Vejamos a experiência do Malawi. O camponês malawiano, que não difere do moçambicano. Tem uma produtividade superior porque determinados insumos agrícolas são dados pelo Estado a custo zero”, exemplificou.

A área cultivada em Moçambique no ano agrícola 2009-2010 ocupou 5.5 milhões de hectares, um aumento de 47 por cento em relação à década anterior, segundo dados do censo agrícola e pecuário do INE.

Autor: Romeu da Silva
Edição: Pedro Varanda de Castro/António Rocha

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